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13 – O Pensionista (1927)

The Lodger – A Story of the London Fog

1927 / Reino Unido / P&B / Mudo / 74 min / Direção: Alfred Hitchcock / Roteiro: Eliot Stannard (baseado no livro de Marie Belloc Lowndes) / Produção: Michael Balcon, Carlyle Blackwell / Elenco: Marie Ault, Arthur Chesney, June, Malcom Keen, Ivor Novello


 O Pensionista é o terceiro filme do mestre do suspense Alfred Hitchcock, que muita gente não sabe, começou sua carreira durante a época do cinema mudo. Na realidade o diretor considerava essa fase como importantíssima para que ele dominasse as linguagens cinematográficas e tornar-se um perfeccionista pela imagem, já que o som nos filmes, segundo ele, era apenas consequência.

Apesar de ser o terceiro filme assinado pelo diretor inglês, os outros dois se perderam quase por completo, só se conhecendo fragmentos de ambos. O Pensionista foi o primeiro no qual ele conseguiu impor um estilo criativo, como ele mesmo disse na famosa entrevista dada para outros grande cineasta, François Truffaut. E grande parte desse domínio, Hitchcock credita ao fato de ter passado um período fazendo “estágio” em estúdios alemães.

Por isso, é muito perceptível a influência do expressionismo alemão na execução narrativa e visual de O Pensionista, na construção das cenas, na montagem, utilização do jogo de luz e sombra e na forma de interpretação dos personagens, tanto do suposto vilão quanto da mocinha e de seu interesse amoroso.

Hitchcock: tocando o terror desde o cinema mudo

Baseado no livro de Marie Belloc Lowndes, inspirado na histeria causada no final do século XIX pelos crimes de Jack, O Estripador (seu último assassinato antes de desaparecer foi em novembro de 1888, o livro é de 1913 e o filme de 1927), a trama conta a história de um misterioso assassino de louras (sempre elas, não é, Sr. Hitchcock?) nas penumbras das ruas de Londres, provocando um clima de pânico descontrolado na cidade. O metódico serial killer, que dá cabo das platinadas toda terça-feira à noite, é conhecido como Vingador, e sempre deixa um bilhete assinado em todas as suas vítimas.

Isso faz com que as garotas comecem a se precaver e algumas até utilizam cachos de cabelo moreno por baixo dos chapeus. Nesse período conturbado, um novo inquilino se muda para uma pensão no centro e começa a levantar suspeitas do senhorio, o casal Bunting, principalmente quando ele começa a se envolver com sua filha Daisy, que, adivinhem só a cor das madeixas? O pior é que Daisy corresponde, apaixonando-se pelo inquilino, deixando louco de ciúmes o detetive Joe, que tem uma queda pela mocinha e começa a investigar o pensionista, também suspeitando dele. E Hitchcock brinca muito bem com esse fato de dar toda a pinta que ele é o assassino, mas será que é mesmo?

Em O Pensionista, o diretor já começa a mostrar lampejos de sua genialidade e a capacidade em criar cenas de verdadeiro pânico e suspense, que seria marca registrada e o consagraria com um dos melhores cineastas da história da sétima arte, utilizando muito bem a construção das sequências, mesmo derrapando em dar mais ênfase para o triângulo amoroso do que a investigação em si. Mas consegue manter sempre a dúvida sobre a verdadeira identidade do assassino, sua motivação e principalmente, usa todos os recursos visuais para suprir a falta de diálogos e de som para ajudar a assustar os espectadores.

Com toda a certeza vale como registro.

Não é o exorcista chegando...

Não é o exorcista chegando…

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] que Mata é o remake de O Pensionista, dirigido pelo mestre Alfred Hitchcock em 1927, ainda na época do cinema mudo, pero no mucho. […]

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