A amor é muito próximo do ódio!

59 – Ódio que Mata (1944)

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The Lodger


1944 / EUA / P&B / 84 min / Direção: John Brahm / Roteiro: Barré Lyndon (baseado na obra de Marie Belloc Lowndes) / Produção: Robert Blassier / Elenco: Laird Cregar, Merle Oberon, Geogre Sanders, Sir Cedric Harwicke, Sara Allgood

 

Ódio que Mata é o remake de O Pensionista, dirigido pelo mestre Alfred Hitchcock em 1927, ainda na época do cinema mudo, pero no mucho. Também inspirado pelo livro The Lodger, escrito por Marie Belloc Lowndes, essa fita traz grandes diferenças da sua primeira adaptação e da obra literária, já que aqui, ele realmente retrata ficcionalmente um dos maiores serial killers de todos os tempos: Jack, o Estripador.

Enquanto o filme de Hitchcock é mais fiel ao livro, cuja publicação data de 1913, onde um assassino de mulheres chamado O Vingador (personagem esse que foi na verdade inspirado pelos crimes cometidos por Jack) ataca nas neblinas das ruas da Londres vitoriana, aqui em Ódio que Mata, o estripador de Whitechapel em questão é o verdadeiro vilão da história, claro que com uma imensa liberdade poética, já que como bem sabemos, Jack, o Estripador assassinava apenas prostitutas, e aqui ele assassina atrizes.

Por se tratar de um filme falado, levando em consideração a qualidade técnica superior inerente aos avanços cinematográficos (se comparados à década de 20), a utilização do som, um orçamento maior e um grande estúdio por trás (20th Century Fox), Ódio que Mata apresenta um resultado, digamos, superior ao filme de Hitchcock em questões de ritmo, ambientação e caracterização dos personagens. Nunca em direção e suspense, claro.

O fio condutor da história é o mesmo de O Pensionista e do livro: ambientada no Século XIX, um misterioso homem chamado Sr. Slade (excelente atuação de Laird Cregar) aluga um quarto na casa dos Bonting, que devido a uma delicada situação financeira, aceitam o inquilino, que pagará 5 libras por semana para ficar com o quarto e também com o sótão, onde irá praticar suas experiências médicas, já que se intitula como um patologista. O detalhe é que o tal quarto alugado fica nas proximidades de Whitechapel, onde brutais assassinatos de mulheres vem sendo cometidos pelo famigerado Jack, o Estripador.

A amor é muito próximo do ódio!

O amor é muito próximo do ódio!

Claro que devido aos hábitos incomuns e soturnos do Sr. Slade, mais cedo ou mais tarde o casal Robert e Ellen Bonting acabará desconfiando de que o novo locatário é o assassino em pessoa. Mas isso sem antes a sua sobrinha, a talentosa atriz de teatro e dançarina Kitty Langley (interpretada por Merie Oberon) não despertar um mix de sentimentos no homem, uma mistura de amor, ódio e obsessão, assim como a atriz sente-se fascinada pelos costumes estranhos e melancolia do Sr. Slade.

A polícia, que vem tendo atitudes ineficazes na captura do monstro, que continua fazendo suas vítimas constantemente, começam também a desconfiar de Slade, até porque o Inspetor John Warnick (George Sanders), encarregado da investigação do caso, tem uma ligação muito estreita com os Bonting e uma paixonite por Kitty.

Outras duas grandes diferenças entre Ódio que Mata e O Pensionista, é a verdadeira identidade e motivação do assassino. No filme de Hitchcock, somos bombardeados por informações dúbias que nos fazem crer piamente que o inquilino é mesmo O Vingador, e no final, somos presenteados com uma reviravolta no roteiro e descobrimos a sua verdadeira motivação. Aqui, Slade é tomado por um sentimento de vingança doentia e desde o começo são jogadas todas as pistas para que ele seja realmente o culpado, algo confirmando em seu final. Outro ponto é o desfecho da história, já que em O Pensionista, o inquilino não é o Vingador no final das contas, e aqui Slade é realmente o Estripador. No final ele é perseguido e acuado pela polícia de Londres, e para não ser preso, em uma sequência realmente tensa e bem executada, ele acaba se atirando da janela para se suicidar nas águas do Tâmisa, rio que sempre admirou pela sua tranquilidade.

Ódio que Mata é um bom filme, reto, sem muita firula e um bom exercício de suspense e mistério. Muito mais fácil de assistir do que O Pensionista, volto a repetir, não pela falta de qualidade do primeiro, muito pelo contrário, mas pela fluidez e de ser um filme falado. Ainda em 2009 ganhou um novo remake, chamado O Inquilino, dirigido por David Ondaatje, com Simon Baker e Alfred Molina no elenco, transportado para os dias de hoje.

Vamos por partes, como eu digo.

Vamos por partes, como eu diria.



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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  1. […] Jimmy Sangester, baseado na peça The Man in Half Moon Street de Barré Lyndon (roteirista de Ódio que Mata e A Guerra dos Mundos original, entre […]

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