São os espíritos zombeteiros

60 – O Solar das Almas Perdidas (1944)

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The Uninvited


1944 / EUA / P&B / 99 min / Direção: Lewis Allen / Roteiro: Dodle Smith, Frank Partos / Produção: Charles Brackett (Produtor Associado), Buddy G. DeSylva (Produtor Executivo – não creditado) / Elenco: Ray Milland, Ruth Hussey, Donald Crisp, Cornelia Otis Skinner, Gail Russell

 

O Solar das Almas Perdidas é um verdadeiro clássico do gênero casa mal assombrada. E um dos primeiros a criar uma estética particular para esse tipo de filme e alguns elementos peculiares que seriam copiados e aproveitados futuramente em outras célebres produções do gênero, como Os Inocentes, Desafio do Além e exemplos recentes, como Os Outros.

Perdido em meio aos filmes de monstros da Universal e o terror psicológico da RKO Pictures, em O Solar das Almas Perdidas, pode ser ver muito da escola que as produções de Val Lewton injetaram no cinema de horror, sem nunca mostrar o verdadeiro monstro, a não ser nos momentos finais do filme, utilizando efeitos especiais que deve ter feito a plateia gelar o sangue na época.

Além disso, a excelente estreia na direção de Lewis Allen é segura, dominando muito bem os efeitos de luz e sombra e sabendo usar como ninguém o poder do som, efeitos sonoros e da sugestão para assustar, tudo amarradinho com um excelente roteiro e uma história de pano de fundo que realmente prende a atenção do espectador, com direito a uma reviravolta no seu final, algo extremamente ousado para a época (que hoje é usado até em demasia quando se trata de filmes de fantasmas).

Roderick e Pamela Fitzgerald, interpretados respectivamente por Ray Milland e Ruth Hussey, são dois irmãos de férias que acabam por acaso descobrindo um casarão abandonado na costa da Cornuália. Os dois ficam completamente apaixonados pelo imóvel, e o compram por uma barganha de seu dono, o Comandante Beech, que quer se livrar do local onde sua filha e genro moraram, antes da trágico suicídio da garota, que pulou do precipício em direção à morte certa no mar.

Aluga-se casa para temporada (de sustos)

Aluga-se casa para temporada (de sustos)

Claro que há alguma coisa errada com o lugar, e depois de algumas noites, todo o encanto termina quando eles descobrem que a casa é mal assombrada, e que há um espírito que chora todas as noites até a primeira brisa da manhã. E ainda misteriosamente o local fica infestado pelo perfume de flores mimosas, sem contar as correntes frias de ar. Ao mesmo tempo que os irmãos Fritzgerald e Lizzie, a governanta, tem de lidar com essa situação, eles começam a receber a visita frequente de Stella Meredith, neta do Comandante Bleech e órfã de Mary Meredith, que se suicidara.

A presença da triste e resignada Stella começa a aumentar ainda mais a atividade paranormal do local, e a garota começa a ser controlada por um terrível força, que quase a faz se jogar do mesmo precipício que a mãe, se não fosse salva na hora H por Roderick, que nessa altura do campeonato, já havia se apaixonado pela jovem, e vice-versa.

Decididos a entender a tragédia que se abateu no local, e qual o motivo da presença daquele fantasma assustador, além da sua real intenção, Roderick e Pamela, auxiliados pelo Doutor Scott (vivido por Alan Naiper, que mais tarde ficaria famoso como o Alfred do seriado do Batman / “Bátema” dos anos 60) começam a cavucar o passado e descobrem uma trama de intrigas entre Mary Meredith e Carmella, acobertada pelo Comandante e pela psiquiatra Dra. Holloway, que envolve o destino de Stella.

O Solar das Almas Perdidas traz uma atmosfera sóbria, sem desvios cômicos muito comuns no que se vinha feito em filmes de fantasmas até então. O choro de tristeza e de lamúria do fantasma é realmente apavorante, e a figura espectral que aparece é realmente impressionante tendo em consideração as limitações de época, e como disse alguns parágrafos acima, tenho certeza que meteu muito medo. Além disso, outro golaço do filme é o fato de não tentar nenhuma explicação lógica ou científica para o fato. Existe uma trama, existe uma reviravolta, conhecemos todos os motivos da(s) presença(s) naquela casa, mas nada que apele ou que ataque o bom gosto.

São os espíritos zombeteiros

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Rogério disse:

    Belíssimo filme. Uma trilha sonora e fotografia lindas e elenco muito bom. Boa notícia: a Versátil lançou o filme em dvd, em janeiro de 2014.

  2. […] 8) O Solar das Almas Perdidas (1944) […]

  3. Mauro disse:

    Olá, para aparecer o link para baixar tem que se registrar?

  4. Mauro disse:

    Olá, não estou vendo o link…preciso me registrar?

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