Kharis chateado!

123 – A Múmia (1959)

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The Mummy


1959 / Reino Unido / 88 min / Direção: Terence Fisher / Roteiro: Jimmy Sangster / Produção: Michael Carreras; Anthony Nelson-Keys (Produtor Associado) / Elenco: Peter Cushing, Christopher Lee, Yvonne Furneaux, Eddie Byrne, Felix Alymer, George Pastell


 

Continuando seu processo de renovação dos monstros da Universal, depois de Frankenstein e de Drácula, agora é a vez de a Hammer trazer a criatura egípcia enfaixada às telas, em cores, com todas as características peculiares do estúdio inglês. Estou falando de A Múmia.

Mais uma vez, temos o prazer de ver a eterna dupla dinâmica, Peter Cushing e Christopher Lee atando juntos. Cushing faz o papel do arqueólogo John Banning. A Lee ficou o papel de Kharis, o ex-alto sacerdote do deus Karnak, mumificado por amar a princesa Ananka e tentar trazê-la de volta à vida através de um ritual proibido.

O roteiro, assinado por Jimmy Sangster, é baseado no que eu chamo de “segunda múmia”. A primeira é aquela de Boris Kharlof no clássico seminal A Múmia, de 1932, onde ele vive Imhotep, às voltas com a tentativa de ressuscitar seu grande amor milenar, a princesa Ankh-es-en-amon. A segunda é a aquela que veio dar norte a todas à franquia, que teve início com A Mão da Múmia, de 1940. Nela, um grupo de arqueólogos no Egito encontram o túmulo perdido da princesa Ananka, e isso enfurece uma seita religiosa dos seguidores de Karnak, que trazem a múmia Kharis de volta à vida para destruir aqueles que cometeram tal sacrilégio.

Cushing vs Lee, round 3

Cushing vs Lee, round 3

Kharis, a múmia que também é representada neste filme, foi eternizado por Lon Chaney Jr. a partir do terceiro da série da Universal, O Fantasma da Múmia. Mas nesta produção há uma espécie de salada de enredos com varias passagens da série toda, inclusive do original, com cenas que remetem estes filmes bem destacadas, ainda mais para quem reviu todos eles recentemente, como foi meu caso, para escrever os textos no blog. E se você acompanha assiduamente as postagens, encontrou todos os filmes da múmia aqui resenhados.

Aqui a coisa é mais ou menos a mesma. A expedição liderada pelo experiente arqueólogo Stephen Banning, Joseph Whemple e John Banning, descobrem a tal tumba da princesa Ananka. Mehemet Bey, um dos seguidores do deus Karnak os avisa para não profanar o sono eterno da princesa, mas é veementemente ignorado, e Stephen maravilhado, adentra em seu sarcófago. Enquanto Whemple vai avisar o enfermo John sobre a descoberta, Stephen tem o primeiro vislumbre da múmia de Kharis, trazido de volta através da leitura de um pergaminho sagrado e no mesmo momento enlouquece, entrando em um estado irreversível de demência, tomado pelo medo mais primitivo.

John manda selar novamente o túmulo, mas não antes de levar o corpo da princesa para o Museu Britânico. Passados três anos, Stephen está internado em uma instituição psiquiátrica e John tenta continuar sua vida, com sua amada Isabelle. É quando Mehemet Bey chega até Londres com sua múmia embaixo do braço e seu plano de se vingar de todos aqueles infiéis. Quando vemos pela primeira vez Lee embaixo da gaze, saindo do interior de um pântano lamacento, é realmente um impacto visual marcante. A maquiagem a cargo de Roy Ashton, que já havia mostrado ao que veio em A Maldição de Frankenstein e O Vampiro da Noite, faz mais uma vez um excelente trabalho com o monstro.

Christopher do Egito

Christopher do Egito

Falando em maquiagem, não posso deixar de citar aqui a cena que reproduz o funeral da princesa Ananka há quatro mil anos. Apesar de a ambientação ser bastante bacana, Christopher Lee se passando por egípcio, com a pele escura, ficou bem ridículo. Mas tudo bem, isso passa. Aproveitando o parágrafo, o design de produção de Bernard Robinson é grandioso, dando ares de “superprodução” do estúdio inglês, principalmente quando se trata da reprodução do Egito Antigo e seus rituais.

Voltando ao enredo, a múmia começa a perseguir um a um para enforcá-los e concretizar sua vingança. Primeiro invade o hospício onde Stephen está internado para matá-lo. Depois assassina Whemple. John é o próximo. Claro que o inspetor Mulrooney, investigando os crimes, não acredita nesta história de múmia. Indestrutível, Kharis parte para cima de John e só não o mata quando Isabelle interfere, já que ela é praticamente idêntica à princesa Ananka (a atriz fez o papel das duas) e confuso, Kharis obedece seu amor. Daí cabe a John e Mulrooney descobrir toda a verdade por traz do monstro mofado e da conspiração de Mehemet Bey, e impedi-los antes que seja tarde demais.

Claro, A Múmia não tem o mesmo charme dos filmes de Frankenstein ou de Drácula, muito mais emblemáticos para a Hammer. Assim como acontecia também na Universal. Os filmes da múmia eram meio série B, tanto que quando rolava um crossover entre todos os monstros, ela sempre ficava de fora. Mas isso não deixa de fazê-lo um bom filme, ótima direção de arte, com maquiagem primorosa da criatura, muito bem representada por Christopher Lee se arrastando por aí, assim como a sempre galante presença de Peter Cushing na tela.

Kharis chateado!

Kharis chateado!


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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] tem em seu currículo nada mais, nada menos, que A Maldição de Frankenstein, O Vampiro da Noite e A Múmia, todos com a dupla Cushing e Christopher Lee, para o estúdio inglês. Antes de A Ilha do Terror, […]

  2. […] Noite, vários filmes destas duas franquias e outros clássicos como O Homem que Enganou a Morte, A Múmia, e tantos outros. Já o roteiro ficou por conta de Tudor Gates, que também escreveu os outros dois […]

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