#chatiada

394 – A Freira Assassina (1979)

Killernunposter

Suor omicidi / The Killer Nun

1979 / Itália / 85 min / Direção: Giulio Berruti / Roteiro: Giulio Berruti, Alberto Tarallo / Produção: Enzo Gallo / Elenco: Anita Ekberg, Paola Morra, Alida Valli, Massimo Serato, Daniele Dublino, Joe Dallessandro

 

A Freira Assassina de Giulio Berruti é mais um daqueles casos que graças ao DPP (Director of Public Prossecutions) britânico e a excelentíssima Sra. Mary Whitehouse e sua lista de nasty videos, ganhou uma notoriedade muito maior que merece. Mas assim, muuuuuuuito maior. Lançado no final dos anos 70, quando uma série de derivados do cinema exploitation brotavam a torto e a direito (neste caso aqui o nunsploitation, subgênero que trazia as peripécias religiosas e sexuais das freiras), a fita surfou nessa marola e chamou a atenção dos famigerados censores britânicos que baniram a sua exibição nos cinemas da Terra da Rainha quando em seu lançamento em 1983, e só poder ser lançado na versão uncut em pasmem, 2006, já em DVD.

Pronto. Estar nessa lista era o suficiente para que uma caralhada de bagaceiras, de filmes ruins à beça, ganhassem uma ótima propaganda e virar objeto de culto, mesmo não sendo para tanto. É o caso de A Freira Assassina, baita filme safado, pessimamente dirigido, com atuações canhestras, passa longe de ser um dos mais chocantes do nunsploitation (é filme colegial perto de Satanico Pandemonium ou Alucarda) e econômico até demais tantos nas cenas de nudez quanto de sacanagem, tirando a personagem Irmã Mathieu, interpretada por Paola Morra, que vire e mexe está ali pelada com seus seios fartos (só não tão fartos quanto o seu matagal púbico estilo Claudio Ohana).

E outra, enquanto a maioria dos filmes anteriores do nunsploitation se passava na Idade Média, durante um período realmente barra pesada para as mulheres, e as pobres freirinhas lutavam bravamente pela manutenção de sua fé e não cair nas tentações do Satanás, aqui a trama é ambientada nos anos 70 e não há a menor pretensão em fazer nenhum tipo de comentário social ou levantar nenhum questionamento sobre o papel da mulher religiosa na Igreja ou mesmo na sociedade. A tal “freira assassina” do título, a irmã Gertrude (vivida pela musa sueca Anita Ekberg), tem suas tendências homicidas por conta de um problema patológico / neurológico. O Coisa-Ruim sequer leva a culpa dessa vez.

Explico: enfermeira chefe de um sanatório, Irmã Getrude foi diagnosticada com um tumor cerebral e sofreu uma operação, bem sucedida, diga-se de passagem. Acontece que ela começa a surtar e sofrer de hipocondria, achando que está terrivelmente doente, mesmo que os exames provem o contrário e entra em um espiral de loucura, viciando-se em morfina, abusando dos pacientes, quebrando o celibato com relações sexuais com estranhos que pega em bares, relações sexuais lésbicas com a Irmã Mathieu que é perdidamente apaixonada por ela e até a ajuda a encobrir seus “crimes”, e praticar assassinato doloso ou culposo dentro do hospício (como uma velha de coração fraco que morreu após ser humilhada durante um jantar).

#chatiada

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Em seus surtos de extrema maldada, Gertrude ainda faz jogo de interesse para demitir o atual médico responsável pela instutuição psiquiátrica, o Dr. Poirret (Massimo Serato), fazendo fofoca dele com o diretor do local, o que vai levar a contratação do jovem Dr. Patrick Roland, interpretado por Joe Dallessandro (famoso por seus papeis em Carne Para Frankenstein e Sangue Para Drácula), e a partir daí, instala seu “reino de terror” contra os pacientes. Estranhas mortes se seguem como de um paciente agredido na cabeça que é jogado janela abaixo para forjar suicídio, outro sufocado com algodão e mais uma médica torturada e enforcada.

Só que todas essas mortes não mostram a, digamos, identidade do asssassino. Apenas mãos envoltas em luvas brancas, como um tosco giallo ao contrário, já que estamos na Itália, e no final, as suspeitas do Dr. Roland e da Madre Superiora recaem sobre Gertrude, mas aí vem uma daquelas famosas reviravoltas spaghetti para descobrirmos se a freira é mesmo a responsável pelos crimes odiosos ou alguém tentando incriminá-la. Pura bobagem.

E quando você pensa que vai rolar algumas cenas picantes, para salvar o filme, eis que a direção preguiçosa de Berruti não consegue nem excitar um adolescente, com relações sexuais filmadas a distância e sem o menor tesão (principalmente quando as duas irmãs resolvem colocar a aranha para brigar ou quando Gertrude transa com um desconhecido que conheceu no bar e ambos não chegam nem a tirar a roupa), e nudez sempre contida (exceto da bela Paola Morra). Sem contar que as cenas de violência são tão mal executadas e nada impressionantes quanto.

Ou seja, A Freira Assassina é uma porcaria, que gerou certa polêmica com um tema religioso, e que o DPP conseguiu superestimar. Vale ver por estar inserido no contexto do nunsploitation. Ou não.

Que isso, freirinha?

Que isso, freirinha?

Serviço de utilidade pública:

O DVD de A Freira Assassina não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

3 Comentários

  1. Paulão Geovanão disse:

    Nunsploitation!

  2. Raphael Travassos disse:

    Oi… o blog já conferiu “Madre Joana dos Anjos”? Se não é uma ótima opção.

  3. […] os grandes clássicos deste gênero, temos A Freira Assassina, Atrás dos Muros do Convento, A Monja e o Demônio, Alucarda e Imagens de um Convento, sem contar […]

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