Conde Orlok?

399 – Os Vampiros de Salem (1979)

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Salem’s Lot

1977 / EUA / 112 min / Direção: Tobe Hooper / Roteiro: Paul Monash (baseado no livro de Stephen King) / Produção: Richard Kobritz, Anna Cottle (Produtor Associado), Stirling Silliphant (Produtor Executivo) / Elenco: David Soul, James Mason, Lance Kerwin, Bonnie Bedelia, Lew Ayres, Julie Cobb, Elisha Cook Jr.

 

Minissérie feita para a televisão adaptada de uma obra de Stephen King. O que aconteceu pela primeira vez em Os Vampiros de Salem, baseado no livro “A Hora do Vampiro”, segundo da carreira do escritor, que foi ao ar pelo canal CBS em novembro de 1979, tornaria-se uma verdadeira constante.

Uma porrada de telefilmes e minisséries do Mestre do Terror seriam feitos diretamente para as telinhas e ajudariam, e muito, na imensa popularização do autor do Maine. Algumas de muita qualidade, como o próprio Os Vampiros de Salem, It – Uma Obra Prima do Medo e A Tempestade do Século, por exemplo, e outras execráveis, como Fenda no Tempo, A Dança da Morte, Rose Red – A Casa Adormecida e Desespero.

Pois bem, dirigido por Tobe Hooper em seu auge e escrita por Paul Monash, Os Vampiros de Salem originalmente foi lançado em seis episódios e mais tarde transformado em um filme para seu lançamento comercial tanto nos cinemas, quanto VHS e DVD. E vou lhe falar que traz uma das mais bacanas e assustadoras representações de vampiros do gênero. Por mais que Barlow, o vampiro-mor, seja uma cópia azul do personagem de Nosferatu, a caracterização dos demais vampiros é sinistra, com sua pele de cera e hipnóticos olhos brancos brilhantes. As cenas em que os sanguessugas aparecem voando na neblina e batendo na janela de suas vítimas tarde da noite para que sejam convidadas a entrar, é muito bem feita (e tornou-se um clássico).

A trama em seus 184 minutos de duração traz o escritor Bem Mears (David Soul) que volta à sua cidadezinha natal, Salem’s Lot (diminutivo de Jerusalem’s Lot), na Nova Inglaterra, para escrever um livro sobre a Mansão Marsten, um casarão vitoriano no topo de uma colina que irradia maldade. Pior ainda que ela acaba de ser alugada pelo funesto Richard K. Straker (James Mason) e seu sócio Barlow (que nunca sequer apareceu na cidade), em vias de abrir um antiquário por lá.

Conde Orlok?

Conde Orlok?

As bizarras mortes por anemia começam a acontecer quando Straker paga ao corretor imobiliário Larry Crockett (Fred Willard) para que ele contrate duas pessoas a fim de trazer um estranho carregamento de Portland, que escolados no cinema de terror como somos, sabemos que é o caixão com o terrível vampiro dentro. Logo Ben começa a desconfiar da origem dessas mortes e obviamente é desacreditado, sendo auxiliado apenas pela namorada que descolou ao voltar à cidade, Susan Norton (Bonnie Bedelia), seu pai médico, o Dr. Bill Norton (Ed Flanders) e seu antigo professor de escola, Jason Burke (Lew Ayres), além do jovem vidrado em monstros e personagem de terror, Mark Petrie (Lance Kerwin), que teve seus pais e amigos mortos pelos vampiros e deseja vingança.

Esse é o estopim para a cidade inteira de Salem’s Lot ser subjugada por Barlow, seu carniçal Straker e a horda de vampiros que ele foi transformando no decorrer de sua curta estada, condenando todos os moradores do local, exceto Mears, o Dr. Norton e o jovem Pietre que resolvem adentrar à casa para caçar o morto-vivo, mesmo Mears tendo um medo danado da mansão, pois durante a infância, quando sua tia trabalhava de governanta por lá, entrou no imóvel e foi testemunha do suicídio do infame Hubbie Marsten, proprietário o qual recaía suspeita de ser responsável pelo desaparecimento de criancinhas na época. A teoria então de Ben Mears é que há alguma força maligna na casa que atrai apenas esse tipo de moradores. Mas ele nunca iria imaginar ter de lidar com vampiros.

Stephen King concebeu “A Hora do Vampiro” para ser sua versão de Drácula vindo para América. Porém o produtor Richard Kobritz resolveu fazê-lo mais parecido com o monstro de Nosferatu – Uma Sinfonia de Horror: assustador e asqueroso, pois estava preocupado que um vilão romantizado não teria o impacto que ele gostaria. Na verdade eu acho que foi uma escolha acertada, pois em 1979, havia estreado Drácula de John Badham com um charmoso Frank Langella no papel principal. Em contrapartida, Werner Herzog também entregaria no mesmo ano o seu remake Nosferatu – O Vampiro da Noite. Então ficou elas por elas.

Vampiros possuídos

Vampiros possessos

Detalhe que George A. Romero era o nome cotado para dirigir o filme, quando este ainda seria uma adaptação cinematográfica e não uma minissérie televisiva. Quando a ideia foi abortada exatamente por conta do lançamento dos dois longas citados acima, Romero pulou do barco e a vaga ficou com Tobe Hooper, selecionado por Kobritz após assistir adivinhe qual filme? O Massacre da Serra Elétrica, claro.

Os Vampiros de Salem alcançou altos níveis de audiência na televisão americana e tornou-se um sucesso instantâneo, ajudando a pavimentar definitivamente o sucesso do escritor e tornar suas adaptações de livros uma verdadeira febre. Foi até se pensado pelos figurões executivos do estúdio em transformá-lo em uma série de TV convencional, mas que nunca foi para frente.

Só que a minissérie ganhou uma pavorosa continuação em 1987, quase dez anos depois, escrita e dirigida por Larry Cohen, lançada em sessão dupla com A Ilha dos Monstros, terceiro filme da trilogia de Nasce um Monstro. Detalhe que Cohen escreveu o roteiro original de Os Vampiros de Salem, mas o produtor achou o script uma “porcaria” e pediu para Paul Monasch reescrevê-lo, cortando Cohen totalmente dos créditos. Em 2004, “A Hora do Vampiro” foi mais uma vez transformada em uma minissérie, desta vez exibida na TNT, que ganhou no Brasil o título de A Mansão Marsten, quando lançada direto em DVD, com Rob Lowe, Donald Sutherland, James Cromwell e Rutger Rauer no elenco. Que também é bastante decente, por sinal.

Deixe ele entrar

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Serviço de utilidade pública:

O DVD de Os Vampiros de Salem não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

5 Comentários

  1. Paulão Geovanão disse:

    Fodástico!

  2. […] Por mais que a perseguição e os assassinatos sejam desenvolvidos de forma apressada e canhestra por Hooper, vale aqui sua imensa aptidão em trabalhar o cenário do cárcere dos adolescentes, que tiveram sua noite de diversão, sexo e baseado, transformada em um pesadelo vivo. Assim como fizera em O Massacre da Serra Elétrica, o diretor tem uma preocupação total com o seu cenário e como ele influencia o medo no espectador. Todo mundo já foi nessas Casas Malucas ou Casas do Terror em algum parque de diversão na vida, e retomar esse medo primal de bonecos, engrenagens, fumaças e espelhos é o objetivo aqui, e não só a matança padrão dos slasher movies. Ponto também para a fotografia de Andew Laszlo, que mistura ambientes claustrofóbicos escuros com cores quentes e frias e do design de produção de Morton Rabinowitz, que trabalhara com Hooper em seu filme anterior, Os Vampiros de Salem. […]

  3. […] Opus Eponymous (2010) x Os Vampiros de Salem (1979) […]

  4. T. Seixas disse:

    Buenas camarada!
    Consegues de alguma forma disponibilizar o mesmo para meu deleite?

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