Vai um protetor solar aí?

427 – Galáxia do Terror (1981)

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Galaxy of Terror

EUA / 1981 / 82 min / Direção: Bruce D. Clark / Roteiro: Marc Siegler e Bruce D. Clark / Produção: Roger Corman, Marc Siegler (Co-Produtor) / Elenco: Edward Albert, Erin Moran, Ray Walston, Zalman King, Robert Englund, Sid Haig

 

Antes de tudo, quero dizer duas coisas: primeiro, que Galáxia do Terror é um daqueles sci-fi bagaceiras que é uma cópia vagabunda de Alien – O Oitavo Passageiro. Segundo é que o mais emblemático para mim desta podreira produzida pelo Rei dos Filmes B, Roger Corman, é uma cena em particular, envolvendo um verme e uma gostosa.

Acho que não só para mim, mas para todos, este é o momento ápice do filme, quando a delicinha Dameia, papel da loirinha Taaffe O’Connell é estuprada por um bigato gigante. Como é? ESTUPRADA POR UM BIGATO GIGANTE? Isso mesmo, um vermezão ataca a heroína indefesa e começa a rasgar sua roupa, deixando-a peladinha, besuntando-a com sua gosma e mandando ver na moça até que ela morre. Só que a história que tenho para contar sobre esse momento ímpar da ficção científica de terror, é que ele foi responsável pela primeira ereção de um grande amigo meu, que manterei no anonimato. Vê se pode, uma coisa dessas?

Nada de Emanuelle, Porky’s, O Último Americano Virgem, Loverboy ou Férias do Barulho. O “doente” sentiu seu falo enrijecer pela primeira vez ao ver a droga de uma larva trepando com uma mocinha, isso quando Galáxia do Terror foi exibido na Tela Quente, em uma noite qualquer da Globo lá no final dos anos 80. E também sou obrigado a pensar em como diabos a televisão aberta passava uma porcaria dessas em seu horário nobre de filmes. E ah, só para esclarecer, não fui testemunha ocular, tá? Ele me contou anos mais tarde.

No espaço, ninguém ouvirá você gritar...

No espaço, ninguém ouvirá você gritar?

Enfim, devaneios das descobertas da puberdade à parte, Galáxia do Terror é um trash daqueles bem vagabundos, produzido por Corman para aproveitar o sucesso de Alien – O Oitavo Passageiro lançado dois anos antes. E é tão nítido que eles tentaram copiar o visual da nave e do planeta do filme de Ridley Scott, mas falharam miseravelmente, muito graças ao seu parco orçamento – 700 mil dólares para ser mais exato. Para ilustrar melhor o que estou falando, as paredes da nave foram feitos de pedaços de cartolina do McDonald’s. Não preciso dizer mais nada, certo?

Bem, a trama consiste em uma equipe que parte em uma missão de resgate de uma nave espacial perdida no planeta Morganthus, enviadas pelo Mestre do planeta Xirxes, que possui uma aparência disforme com seu rosto brilhando em vermelho. Nessa equipe estão todos os arquétipos possíveis desse tipo de filme, como a durona à lá Ripley, Capitã Trantor (Grace Zabriskie), do comandante esquentadinho Baelon (vivido por Zalman King, que mais tarde se tornaria produtor e diretor de filmes eróticos como 9 ½ Semanas de Amor e Orquídea Selvagem), o herói Cabren (o cover do Tom Selleck, Edward Albert), a sensitiva Alluma (Erin Moran), o mudo Quuhod (Sid Haig, figurinha carimbada dos filmes de Rob Zombie), o cozinheiro à lá Ash, Kore (o veterano Ray Walston), o medroso Cos (Jack Blessing), e o segundo técnico Ranger (um pré-Freddy Kruger, Robert Englund). E ah, a mocinha estuprada pelo verme (carinhosamente chamado de Maggie, the Maggot), que originalmente seria devorada, mas perguntada de última hora pelo diretor Bruce D. Clarke se ela toparia ser estuprada ao invés, ela aceitou e não se opôs à cena de nudez. Tudo pela arte!

Pois bem, o que eles não sabem, e o espectador não sabe, é que aquele planeta maldito tem uma particularidade: os piores medos e sombrios pesadelos de cada um se tornam realidade, e aos poucos, toda a tripulação vai sendo exterminada um a um, e tanto faz se estão dentro de suas naves, no meio do planeta, em uma ridícula pirâmide ou suas cavernas (onde ficam numa boa sem capacetes) ou no interior da nave que deveria ser resgatada. E pode contar que os efeitos especiais são de péssima qualidade para representar a imaginação maligna de cada um. Exceto o verme, ponto alto dos efeitos especiais, melhor ator do filme e responsável pela melhor sequência, só porque a patricinha espacial tinha medo das criaturinhas nojentas.

Eu não mereço ser estuprada... por um verme!

Eu não mereço ser estuprada… por um verme!

E um detalhe curisosíssimo sobre Galáxia do Terror é que sabe como a loira deixa seu medo aflorar? Quando ela encontra um braço decepado no chão cheio dos bigatos. E você faz ideia de quem colocou essas larvas no braço? Ninguém menos que James Cameron, responsável pelo design de produção do filme e diretor de segunda unidade. Os produtores ficaram impressionados com a técnica do garoto, que lhe deram seu primeiro trabalho como diretor, que foi nada menos que Piranhas 2 – Assassinas Voadoras. De lá para se tornar o “Rei do Mundo” foi um pulo. Ou seja, aquele verme além de ter provocado tesão no meu amigo, também catapultou a carreira de Cameron!

Outra curiosidade é que o decorador de set de Galáxia do Terror foi Bill Paxton, antes de se tornar ator, e que trabalharia com Cameron em Aliens, o Resgate, filme o qual o original inspirou descaradamente este aqui, e David DeCoteau, diretor de outras bagaceiras trash, com seus 18 anos, teve seu primeiro trabalho em Hollywood como assistente de produção.

Trasheira até dizer chega, Galáxia do Terror é ridículo assistido depois de velho, com seus efeitos especiais bisonhos, cenários picaretas, roteiro pilantra e atuações sofríveis. Mas é recomendado para os saudosistas, pois lá nos seus idos dos anos 80, impressionou, aterrorizou (e até excitou) a molecada da minha geração.

Vai um protetor solar aí?

Vai um protetor solar aí?

Assista ao episódio do videocast do 101 Horror Movies comentando Galáxia do Terror:

Serviço de utilidade pública:

O DVD de Galáxia do Terror não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.

 

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

4 Comentários

  1. Allan disse:

    Eu estava confundindo este filme com A Galáxia Proibida, que também é uma produção do Corman, cópia do Alien e com uma boa dose de nudez.
    Terei que assistir esse, não lembro de ter visto a tal cena. Acho que eu lembraria se tivesse visto, ehehe.

  2. […] Leia a minha resenha sobre Galáxia do Terror aqui. […]

  3. […] pelo extraterrestre foi R. Christopher Biggs, oriundo da equipe de Roger Corman de filmes como Galáxia do Terror e XB: Galáxia Proibida e também tem em sua filmografia Criaturas, a quarto e quinta de A Hora do […]

  4. Rafael disse:

    Olá, Marcos Brolia. Desculpe a minha provável ingenuidade, mas levando em conta o seu referencial usado, foi a personagem apenas ou foi a atriz mesmo que “topou” ser estuprada?

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