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581 – Palhaço Assassino (1989)

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Clownhouse

1989 / EUA / 81 min / Direção: Victor Salva / Roteiro: Victor Salva / Produção: Michael Danty, Robin Mortarotti, Victor Salva; Sara Ström (Produtora Associada); Roman Coppola (Produtor Executivo) / Elenco: Nathan Forest Winters, Brian McHugh, Sam Rockwell, Michael Jerome West, Byron Weible, David C. Reinecker

Palhaço Assassino é estritamente não recomendado para pessoas com coulrofobia. Isso porque sem dúvida nenhuma, no subgênero dos palhaços assustadores, que tem em sua célebre lista It – Uma Obra Prima do Medo de Stephen King e até o trash Palhaços Assassinos do Espaço Sideral, o thriller meio slasher de Victor Salva figura como um dos principais exemplares.

Isso porque apesar de todo o clichê da fita, devo confessar que ele tem um ritmo de suspense muito bem trabalhado pelo então iniciante diretor e as atuações dos palhaços lunáticos, que se não é de meter medo em qualquer um, impressiona, principalmente pela velha (porém eficaz) história de transformar uma figura que deveria ser sinônimo de riso e diversão em algo assustadoramente macabro, capaz de tirar o sono de muita molecada (e marmanjo também) por aí.

Salva ficou mais conhecido no começo dos anos 2000 pela direção do decente Olhos Famintos. Apadrinhado por Francis Ford Copolla, sua primeira incursão no cinema, Palhaço Assassino, fora produzido por Roman Copolla, filho do Francis e irmão da Sofia. Mas a perversão sexual do diretor deu um baque em uma carreira que poderia ser promissora, mas ainda chegarei lá.

Visita técnica

Visita técnica

A trama é simples e direta, sem muita firula, e por isso funciona nos moldes dos slasher movies, tão costumeiros naquela década. Três irmãos são deixados sozinhos à noite em casa, enquanto sua mãe vai visitar a tia e seu pai vive viajando a trabalho, logo está sempre ausente. De cara o desenvolvimento dos personagens é delineado, até para trabalhar a empatia e identificação com o espectador. Casey (Nathan Forrest Winters) é o irmão mais novo, gordinho, medroso, que terá o medo de palhaço importantíssimo para a trama. Geoffrey (Brian McHugh) é o irmão do meio nerd, preferido de Casey, que tenta sempre ajudar e incentivar o caçula. Randy (debute de Sam Rockwell no cinema) é o irmão adolescente mais velho, com todos os trejeitos e estereótipos possíveis: é arrogante, vive pentelhando os mais novos, principalmente Casey, posa sempre de machão e é um verdadeiro sacal.

A contragosto de Casey, os três resolvem visitar o circo que está na cidade, e eis que durante a exibição dos palhaços no picadeiro, o garoto tem uma crise e abandona o espetáculo, já evidenciando o pavor que ele tem daqueles bufões.  Ao apagar as luzes, três maníacos que haviam escapado do hospício massacram os palhaços originais e em um débil acesso de loucura, vestem suas roupas e maquiagem e decidem aterrorizar as redondezas.

Claro que os três garotos sozinhos serão os alvos dos psicopatas, e então uma verdadeira perseguição na grande casa de dois andares dará início. Mas além do corre corre e luta pela sobrevivência habitual do gênero, onde valores serão colocados em prova e medos superados, o mais interessante é mesmo o clima de suspense que vai se conduzindo com a insanidade limítrofe dos palhaços psicóticos, espreitando na escuridão entre as frestas, caminhando sorrateiramente, trabalhando com toda furtividade para meter o maior cagaço nos jovens, e também no público.

Imagem proibida para quem sofre de coulrofobia

Imagem proibida para quem sofre de coulrofobia

Parágrafo a parte para o líder dos arlequins assustadores, o sádico Cheezo, vivido por Michael Jerome West (com o estranho pseudônimo de Tree) que realmente convence e é capaz de meter um medo da porra nos mais incautos, encarnado ao melhor estilo Coringa, transbordando demência com suas expressões ora jocosas, ora de total teor maligno, que aposto que faria o famoso serial killer John Wayne Gacy, que matou e estuprou mais de 20 garotos nos anos 70, em Chicago, Illinois, orgulhoso.

Falando em estuprar garotos, aí vem a parte realmente assustadora de Palhaço Assassino. Foi descoberto que durante a produção do longa, Victor Salva molestou sexualmente o ator mirim e protagonista Nathan Forrest Winters, de 12 anos, obrigando-o a fazer sexo oral, usando como pretexto a gravação de cenas extras, mantendo a câmera rodando durante o ato criminoso, para adicionar a sua coleção de pornografia infantil. Eventualmente Winters contou para seus pais o que estava acontecendo, a polícia invadiu a casa de Salva, que descobriu as fitas e o condenou a três anos de prisão, sendo libertado em condicional apenas 15 meses após começar a cumprir a sentença. E vejam só, por incrível que parece, ele foi contratado pela DISNEY para dirigir seu próximo filme, Energia Pura.

Trágico é você analisar Palhaço Assassino tendo em fato o escândalo e crime sexual cometido pelo diretor e as suas inclinações pedófilas. Acho que um artigo da VICE resume bem o que quero dizer: “Como conceito, é bastante básico, embora o pesadelo seja vivificado por um constante e recorrente homoerotismo colegial, que se manifesta em filmagens de virilhas juvenis e constantes closes de adolescentes seminus. É basicamente tão aterrorizante quanto um filme sobre palhaços assassinos caçando crianças, dirigido por um pedófilo, poderia ser”.

Apesar dessa enorme mancha, vale a pena dar uma conferida, ainda mais se você for fã do Roman Polanski, Woody Allen ou do Rob Lowe. Calma gente é só uma piada!  Porque Palhaço Assassino é um filme redondo, funciona como suspense e também como a manifestação física de um terror verossímil e de um pesadelo recorrente, mesmo que a dura realidade dos bastidores tenha sido mais monstruosa.

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

9 Comentários

  1. Paulão Geovanão disse:

    E aí Marcão, você sofre de coulrofobia?

  2. Papa Emeritus disse:

    Por falar em estupro, Pola Kinski (filha do Klaus Kinski) disse que teria sido estuprada pelo próprio pai. Aliás, essa não seria a primeira denuncia de estupro referente ao falecido Klaus Kinski. Dizem que ele era um cara muito escroto. E tem mais, o Corey Feldman (o Bocão) recentemente em vários programas de TV tem denunciado pedofilia em Hollywood e que ele mesmo teria sofrido com isso quando era pequeno. Recentemente o Bryan Singer também teria sido acusado de cometer pedofilia com um ator mirim (não lembro quem era). Pelo visto em Hollywood a putaria come solta.

  3. Leandro disse:

    Começa bem e até os maníacos invadirem a casa, o filme é promissor. Mas aí quando você acha que os palhaços vão trucidar a molecada, não é bem isso que acontece. Fiquei meio decepcionado quando vi, ainda mais com um começo bem interessante.

  4. Isso explica porque eu não gostei de “Energia Pura” desde que eu vi. Me cansa aquela tensão homoerótica entre o branquelão e o sósia do Eddie Vedder.

  5. Renan Maia disse:

    Assisti sem grandes expectativas no YouTube e adorei! Muito melhor que o telefilme “It” (que começa bem e fica ruim). O filme aqui tem uma ótima produção, direção e elenco – fiquei surpreso com a presença de Sam Rockwell nos anos 80. Poderia sair em Dvd no Brasil para as novas gerações. Vale a pena conferir os palhaços medonhos!

  6. […] Salva era um dos futuros promissores lá no final dos anos 80, descoberto por Coppola e dirigido Palhaço Assassino, porém acabou preso acusado de pedofilia após molestar sexualmente um dos atores mirim do filme. […]

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