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585 – A Sociedade dos Amigos do Diabo (1989)

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Society

1989 / EUA / 99 min / Direção: Brian Yuzna / Roteiro: Rick Fry, Woody Keith / Produção: Keith Walley; Keizo Kabata, Terry Ogisu, Paul White (Produção Executiva) / Elenco: Billy Warlock, Devin DeVasquez, Evan Richards, Bem Meyerson, Charles Lucia, Concetta D’Agnese, Patrice Jennings

 

A Sociedade dos Amigos do Diabo é o debute do até então produtor Brian Yuzna na direção. E olhe, que debute, hein! A película sem dúvida nenhuma é um dos mais interessantes e inventivos filmes do final dos anos 80, quando o gênero já começava a capengar de acordo. E o que é aquela sensacional, bizarra e surrealista sequência final?

Bem, o filipino Yuzna como você deve bem saber (assim espero) foi o produtor de Re-Animator – A Hora dos Mortos-Vivos e Do Além, ambos para a Empire Pictures de Charles Band, dirigidos por Stuart Gordon e baseados na obra de H.P. Lovecraft. A influência dos aspectos gore e do tipo de horror corporal dos dois longas, assim como o estilo do escritor americano, estão completamente presentes em A Sociedade dos Amigos do Diabo.

Apesar do título nacional safado, certamente dado pelo departamento de marketing da distribuidora do VHS para atrair inadvertidamente os incautos, não espere absolutamente nada referente a um culto ou seita satânica. O original, apenas Society, faz jus à uma espécie de sociedade privilegiada de endinheirados esnobes de Beverly Hills, onde Yuzna aponta sua metralhadora giratória de crítica social durante todo o longa. Mas que obviamente, escondem algo muito sinistro.

É exatamente isso que Bill Whitney (Billy Warlock) com seus mullets e visual tão típicos dos 80’s começa a suspeitar, achando estar ficando paranoico ao perceber aos poucos que alguma coisa muito esquisita acontece com a sua família, principalmente na estranha relação entre seu pai, Jim (Charles Lucia), sua mãe, Nan (Connie D’Agnese) e sua irmã, Jenny (Patrice Jennings) que está preste a ser iniciada na tal sociedade.

Mas hein?

Já pensou nessa composição anatômica do corpo feminino?

Esse clima de incerteza que o ronda é desmistificado pelo psicólogo com qual faz terapia, dizendo que é completamente normal essa crise de identidade e de aceitação nos adolescentes. Fora as visões que Bill passa a ter, como vermes nos alimentos e o momento em que o caldo começa a entornar mesmo, ver a irmã tomando banho através do vidro do box com uma BUNDA FRONTAL! O ex-namorado de sua irmã, David Blanchard (Tim Bartell) até tenta alertá-lo sobre a sociedade, mostrando uma fita que gravou de uma conversa entre seus pais, dizendo que finalmente Jenny faria sexo com alguém da sociedade para sua iniciação e algo que depois parecia ser o casal e filha praticando incesto.

Obviamente, Bill entrará em parafuso e uma sequência de acontecimentos irá cada vez mais aumentando a paranoia do adolescente e desacreditando-o em seguida, tudo parte de um plano muito bem elaborado que parece envolver todos os moradores da cidade, da polícia aos estudantes do colégio, do juiz ao próprio psicólogo. Yuzna em entrevistas citou No No Silêncio das Trevas e O Bebê de Rosemary como as maiores influencias para o clima construído em A Sociedade dos Amigos do Diabo. E falando ainda no clássico de Polansky, tudo caminhava realmente para um final onde uma grande seita seria apresentada, até que BANG!

Yuzna nos surpreende com uma revelação (porém sem revelar absolutamente porra nenhuma, o que é genial!) inesperada. E aí vem um ALERTA DE SPOILER. Então pule os próximos dois parágrafos ou leia por sua conta e risco. Quando Billy finalmente é capturado, junto com Blanchard, que supostamente deveria estar morto, descobrimos que o rapaz na verdade é adotado e foi criado por seus pais apenas para servir de alimento, assim como o amigo, para um bando de criaturas mutantes amorfas derretidas e bizarras que eles se transformam.

Ops, grudou!

Ops, grudou!

Inspirado em um quadro surreal de Salvador Dalí, os ali presentes começam a derreter, mutar e assimilarem-se uns aos outros enquanto, tornando-se uma só massa disforme, devoram e absorvem o pobre Blanchard com Billy de testemunha, em uma cena que é dificílima de descrever em palavras. Nesse momento, espere todo tipo de bizarrice dos efeitos especiais, com membros elásticos, junção de troncos e pernas e o inesquecível Cara de bunda, o pai de Billy transformado com um rosto no traseiro! Tudo repleto de humor negro e música clássica tocando, como Danúbio Azul. Mesmo com a resolução das mais bobinhas, essa sequência final simplesmente coloca o filme em outro nível.

Os grotescos efeitos especiais que dão a tônica foram realizados pelo japonês Screaming Mad George, sugerido pelos produtores também japoneses do longa, que fez parte da equipe de criação dos efeitos da criatura de O Predador, Poltergeist II – O Outro Lado, Os Aventureiros do Bairro Proibido de John Carpenter e a célebre sequência da barata de A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos, voltando até a trabalhar com Yuzna futuramente nas sequências de Re-Animator.

Outro mote interessantíssimo de A Sociedade dos Amigos do Diabo é a crítica social enrustida ao modo de vida e comportamento dos playboyzinhos de Beverly Hills (e no geral) e suas sociedades e confrarias, a obsessão pelo status, pela aceitação em fazer parte de um grupo de pessoas poderosas, endinheiras e esnobe e como esses tipos absorvem, canibalizam e desprezam as diferenças e assimilam tudo a seu redor em uma única massa alienada. Inclusive o roteirista Woody Keith veio de Beverly Hills, de uma família excêntrica e disfuncional que vivia de aparências como de Bill Whitney e muitos dos personagens foram baseados em pessoas reais que conheceu na cidade.

A Sociedade dos Amigos do Diabo é uma brisa deliciosa naquele encerrar de uma década recheada de slashers, sequências ad-infinitum e produções trash de baixa qualidade que já estavam saturando o gênero e preparando uma derrocada quase sem volta nos anos que estariam por vir.

Ricos se alimentando dos pobres!

Ricos se alimentando dos pobres!

Serviço de utilidade pública:

O DVD de A Sociedade dos Amigos do Diabo não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

8 Comentários

  1. JOSELITA disse:

    vingador toxico 2

  2. Papa Emeritus disse:

    A sequência final desse filme é a cena de “suruba” mais nojenta já filmada. Hahahahahahahahahahahaha! Pena que não se fazem mais filmes como esse hoje em dia.

  3. Esse filme vai te virar do avesso!

    Marcos, será que não foi essa “bunda frontal” (é bom pra dançar forró) que inspirou uma cena de “O mistério de Robin Hood” em que acontece a mesma coisa com o Mussum?

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