A magia está no ar

588 – Warlock – O Demônio (1989)

warlock

Warlock

1989 / EUA / 103 min / Direção: Steve Miner / Roteiro: David Twohy / Produção: Steve Miner; Michael Fottreli (Produtor Associado); Arnold Kopelson (Produtor Executivo) / Elenco: Julian Sands, Lori Singer, Richard E. Grant, Mary Woronov, Kevin O’Brien, Richard Kuss

 

Warlock – O Demônio não é um filme bom, mas também não é um filme ruim. É regular, sabe? Meio ambíguo. Tem uma história até que bacana, mas com seu desenrolar cheio de situações bestas, tem efeitos especiais ruins pra danar, mas que para a época estava ótimo para uma produção B, as atuações são caricatas e qualquer nota, mas ainda assim marcou o ator Julian Sands…Por algum motivo desconhecido, acabou se tornando um desses “semi-clássicos” do gênero.

Lembro obviamente da minha saudosa infância, quando assisti Warlock – O Demônio pela primeira vez na tela da Rede Bandeirantes. Confesso que tenho uma lembrança afetiva bem maior de sua continuação (essa por sua vez passava na Sessão das Dez do SBT) e de um joguinho do Mega Drive da sequência, que por sinal, meu parceiro do Horrorcast, ADORAVA jogar.

Como disse lá no primeiro parágrafo, Warlock é Julian Sands. É aquele tipo de papel que estigmatiza o ator para o resto da vida. Pelo menos para quem é fã do gênero. Muuuuito mais que o Dr. Nick Cavanaugh de Encaixotando Helena.  Além de Sands, outro ponto que destaca o filme é que sua direção e produção é de Steve Miner, nome consagrado no gênero, diretor de Sexta-Feira 13: Parte 2 e Sexta-Feira 13 – Parte 3 e A Casa do Espanto. Sujeito que sabe do riscado.

Ai bixa, que anel MA-RA!

Ai bixa, que anel MA-RA!

Bem, Warlock é um bruxo satanista que é condenado pela inquisição em Massachusetts no ano de 1691, a ser enforcado e depois queimado sobre um cesto com gatos vivos! MAS QUE DIABOS OS POBRES GATINHOS TEM A VER COM ISSO, MALDITOS? Mas antes da execução, Satã em pessoa salva o bruxo e o manda para o Século XX, onde deverá coletar para o Tinhoso as páginas perdidas do Grand Grimoire, em troca de se tornar seu filho. Esse grimório é uma espécie de bíblia negra que contem o verdadeiro nome de Deus, e caso esse nome seja pronunciado ao contrário, desfará toda a criação. Meio que tipo o Sr. Mxyptlk, inimigo do Superman, saca?

O caçador de bruxas (e bruxos) Giles Redferne (Richard E. Grant) quem capturara Warlock no século XVII também avança no tempo e deve perseguir sua nêmese mais uma vez, tentando além de salvar toda a humanidade, se vingar de sua esposa morta pelo vilão. Contará com a ajuda da ruiva Kassandra (Lor Singer), uma infeliz que se meteu no caminho do Warlock, passou por um intensivão sobre bruxaria (como o fato deles odiarem sal, por exemplo) e de quebra ainda recebeu um feitiço do mesmo para envelhecer 20 anos por dia!

O que se segue é uma verdadeira caçada de gato e rato, com Redfern usando uma bússola que “rastreia bruxos” por meio de seu sangue, até descobrirem onde está escondida a terceira parte do Grad Grimoire, enterrada em um cemitério em Boston. A verdade é que o momento mais interessante do longa (o resto é bem do burocrático e enfadonho) é quando Warlock consulta uma vidente charlatã e o Capiroto, usando a alcunha de Zamiel, possui a cartomante e barganha com o bruxo seus favores, que por fim arranca os glóbulos oculares da moça, que o guiará em busca das páginas do livro proibido.

Num tô entendendo PORRA nenhuma que tá escrito aqui

Num tô entendendo PORRA nenhuma que tá escrito aqui

Warlock – O Demônio foi terminado no final de 1988 com ideia do lançamento no ano seguinte e foi um dos últimos filmes completados pela New World Pictures, a ex-produtora de Roger Corman, antes de decretar falência. Ao invés de sair direto em vídeo, os direitos foram comprados pela Trimark Pictures e lançado nos cinemas em 1991. Resultado: uma bilheteria bem sucedida, faturando mais de nove milhões de dólares nos EUA com um lançamento limitado, o que deu sinal verde para sua continuação em 1993.

Originalmente o filme seria muito mais violento também. A versão de exibição teste, algo comum na indústria cinematográfica, indicava que Warlock era uma espécie de Messias satânico, ideia abortada após reações extremamente negativas do público. Além disso, a emblemática cena da morte da vidente era mais, digamos, criativa, com Warlock cortando sua blusa e encontrando os olhos do cramunhão no lugar dos seus mamilos (???!!!), com o bruxo arrancando os globos oculares após congelá-la com seus poderes. Com a reação da plateia foi um misto de risada dos seios protéticos e desaprovação pela violência gráfica, a cena foi alterada para a que vemos nas telas.

Posso dizer que Warlock – O Demônio até é um filme cult, que seria facilmente esquecível, mas que por alguma conjuração divina ou satânica, fez sucesso e se tornou até um dos mais famosos filmes daquela década, “catapultando” a carreira de Julian Sands. Vale pelo registro!

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Serviço de utilidade pública:

O DVD de Warlock – O Demônio não foi lançado no Brasil.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

5 Comentários

  1. Mas, meu caro.. falou falar disso aqui. Hahahahaha. https://www.youtube.com/watch?v=Fxmt4udgC74

  2. […] trama, o entomólogo Dr. James Atherton (o eterno Warlock – O Demônio, Julian Sands) descobre uma nova e mortal espécie de aranha extremamente venenosa em uma floresta […]

  3. Maria do Rosário L. Cavalcanti disse:

    Apreciei muitíssimo teus escritos. Sempre gostei de JULIAN SANDS, alguns filmes me arrepiavam,mas viu seu desempenho. Gostaria
    muitíssimo de assistir este filme . Entrei Janeiro 2015 aguardando chegada por Youtube. Abaixo deixo email para você me
    avisar quando este filme estará disponível. Não me receies,completei 70 anos. Vale minha cabeça “antenada”! Desta agora tua nova
    admiradora -sempre hei de apreciar inteligentes!-aqui de Porto Alegre/RS. Gratíssima, Maria do Rosário L.Cavalcanti

    • Oi Maria do Rosário! Puxa, muitíssimo obrigado pelo seu comentário. Fiquei extremamente feliz e lisonjeado por ganhar uma admiradora, que no altos de seus 70 anos, é uma fã do horror e está frequentando o meu blog.

      Grande abraço.

      Marcos

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