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702 – Ressurreição – Retalhos de um Crime (1999)

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Resurrection

1999 / EUA, Canadá / 108 min / Direção: Russel Mulcahy /  Roteiro: Brad Mirman / Produção: Howard Baldwin, Patrick D. Cheh, Christopher Lambert, Nile Niami; Karen Elise Baldwin, Jack Gilardi Jr. (Coprodutores); Richard M. Cohen, Paul Pompian (Produtores Executivos) / Elenco: Christopher Lambert, Leland Orser, Robert Joy, Barbara Tyson, Rick Fox, David Cronenberg

 

Se você quiser resumir Ressurreição – Retalhos de um Crime de forma tacanha, é só taxa-lo como uma cópia de Seven – Os Sete Crimes Capitais. Afinal temos aqui uma dupla de detetives da polícia de uma Chicago que chove a todo instante, perseguindo um serial killer com motivações religiosas, mortes violentas e toda uma atmosfera e fotografia soturna.

Mas se você abrir sua cabeça e deixar as semelhanças com Seven de lado, vai perceber que o filme dirigida pelo australiano Russel Mulcahy e protagonizada pela canastra-mor, Christopher Lambert, é um baita suspense, com um roteiro inteligentíssimo, cenas verdadeiramente pesadas e chocantes, e que não deixa nada a dever a sua tal fonte inspiradora.

Sempre achei fantástico o enredo de Ressurreição, com um toque de morbidez altíssimo. Afinal estamos falando de um psicopata que é descendente de Judas e quer reconstruir o corpo de Cristo até o domingo de Páscoa, e para isso utiliza pedaços de cadáveres de suas vítimas assassinadas brutalmente para montar o seu “Frankenstein religioso”.

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Corpo de Cristo!

Macabro não é? E não para por aí. O assassino é extremamente meticuloso ao escolher o padrão de suas vítimas e executar seu modus operandi (leia-se, tem muitos parafusos a menos): todas as vítimas, as quais ele leva um souvenir (braços, pernas, tronco, cabeça…) tem nomes dos apóstolos, Pedro, Matheus, Thiago, todos eles têm a mesma profissão dos seus pares bíblicos e 33 anos, idade que Cristo foi crucificado. Genial!

Em contraponto ao excelente roteiro, que nos brinda com cenas de investigação inteligentes e momentos bem desagradáveis de se ver, como as cenas com os cadáveres mutilados e o tal “corpo de Cristo”  reconstruído, temos aí alguns problemas que interferem que a fita alcance o verdadeiro status que ela merece que é a direção ineficaz de Mulcahy, principalmente quando ele parece ter descoberto um novo efeito ótico (e tosco) de distorção de câmera e utiliza-o em várias cenas, a péssima atuação de Lambert (que como diz a máxima de Highlander, “só pode haver um”, e ele deveria ter feito somente esse filme na carreira) como o detetive John Prudhomme, e a tentativa forçada daquele velho joguinho do sistema de parceiro dos detetives, com o herói sendo o carrancudo e seu parceiro, o alívio cômico gente boa piadista, Andrew Hollinsworth, vivido por Leland Orser.

Outro ponto que foge à curva em Ressurreição é o drama pessoal vivido por Prudhomme, que perdera o filho atropelado, e não serve para carregar o personagem de peso, uma vez né, que Lambert é um ator horrível, e poderia muito bem ter sido descartado. Pelo menos, essa passagem serve para que o detetive afaste-se de sua fé, e isso o colocará bem em rota de colisão com um assassino religioso extremista, e uma ponta do diretor David Cronenberg como um padre, amigo da família.

Mas no frigir do ovos, Ressurreição – Retalhos de um Crime é um ótimo thriller, e bastante subestimado, que se pode torcer o nariz a princípio por conta de suas inevitáveis comparações com  Seven, mas que não deveria sofrer desse estigma pura e simplesmente por birra, e deve ser assistido de coração aberto, pois certamente, pelo menos para mim, está naquela fatídica lista dos melhores longas sobre serial killers.

Tá faltando alguma coisa, não tá, não?

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Serviço de utilidade pública:

O DVD de Ressurreição – Retalhos de um Crime está atualmente fora de catálogo.

Download: Torrent + legenda aqui.


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Andrigo Mota disse:

    vie sse filme mas….sei la…

  2. Ricardo Martins disse:

    A gritante mania de xerocar “Seven” incomoda um tanto (além de algumas características, há até uma ou duas sequências idênticas, pelo que me lembro), mas relevando isso é até um suspense aproveitável, ainda que tenha altos e baixos.

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