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706 – O Último Portal (1999)

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The Ninth Gate

1999 / EUA, França, Espanha / 133 min / Direção: Roman Polanski / Roteiro: John Brownjohn, Enrique Urbizu, Roman Polanski (baseado no livro de Arturo Pérez-Reverte)/ Produção: Roman Polanski; Mark Allan, Antonio Cardenal, Iñaki Nuñez, Alain Vannier (Coprodutores); Adam Kempton (Produtor Associado); Michel Cheyko, Wolfgang Glattes (Produtores Executivos) / Elenco: Johnny Depp, Frank Langella, Lena Olin, Emmanuelle Seigner, Barbara Jefford

 

Roman Polanski retorna ao gênero em O Último Portal, voltando a tratar de um tema que referencia o satanismo e pactos com o diabo, como havia feito em seu seminal clássico O Bebê de Rosemary.

O Último Portal é aquele tipo de filme oito ou oitenta, que uns adoram e outros acham uma verdadeira bomba na carreira do diretor. Eu fico no meio termo, pois particularmente gosto bastante do filme, principalmente por conta da sua trama, escrita a seis mãos por John Brownjohn, Enrique Urbizu e o próprio Polanski, baseado no livro “O Clube Dumas”, de Arturo Pérez-Reverte, e da atuação de um Johnny Depp sério, sórdido, cínico e ganancioso, distante da afetação de costume de seus papeis.

Os pontos que jogam contra a produção é seu problema de ritmo, uma vez que o filme vai perdendo sua força no decorrer da narrativa, a banalização do terceiro ato, e as demais péssimas atuações (exceto Frank Langella, a não ser quando assume um viés caricato – exatamente no problemático terceiro ato), como de Lena Olin e principalmente da misteriosa personagem de Emmanuelle Seigner (então esposa do diretor) que é completamente inexpressiva e apática, para um papel que deveria ser de tremendo impacto tendo em vista quem ela representa na verdade.

Depp faz Dean Corso, um especialista em livros raros que é contratado pelo colecionador Boris Balkan (Langella), detentor de uma extensa coleção de livros sobre demonologia, e acabara de adquirir um raro exemplar de “Os Nove Portais Para o Reino das Sombras”, comprado de seu antigo dono pouco antes de se suicidar. Reza a lenda que esse livro foi escrito por Aristide Torchia (que fora queimado na inquisição por conta disso) e publicado em 1666 (viu o que eles fizeram aqui?) e o próprio Demônio em si foi o coautor. Neste livro, que só possui três exemplares no mundo todo, contém nove gravuras que se combinadas de forma correta com seu texto, irá abrir esses portais para as trevas e evocar o Coisa-Ruim que lhe concederá seus desejos.

Diabo de bonita!

Diabo de bonita!

Balkan gasta uma quantia exorbitante de Obamas para que Corso encontre as outras duas cópias, uma em posse de Victor Fargas (Jack Taylor) em Portugal e outra da Baronesa Kessler (Barbara Jefford) na França, e compare com sua própria edição para atestar a sua autenticidade e determinar qual delas é a única verdadeira. Os olhos de cifrão de Corso brilham e ele embarca em uma jornada em meio a um universo oculto, descobrindo que as gravuras diferem nas três edições, umas assinadas por Torchia e outra por um tal de LCF, carinhosamente conhecido como Lúcifer.

O problema é que Corso irá se embrenhar em um perigoso mundo que envolverá assassinato, conspirações e seitas demoníacas, com a cabeça a prêmio e sempre vigiado de perto e protegido pela presença de uma dúbia mulher (Seigner) que passa a segui-lo. Toda a sua investigação converge na obsessão de Liana Tefler (Olin), viúva de Andrew Tefler (Willy Holt), que deseja recuperar o livro que seu marido vendera a Balkan antes de se suicidar, a todo custo, para poder praticar seus rituais de magia negra e invocar o Diabo.

A construção da atmosfera que Polanski imprime funciona muito bem, misturado com o tom sóbrio que o filme se desenrola, a excelente fotografia e a trilha sonora de Wojciech Kilar, o mesmo de Drácula de Bram Stoker. O final acaba esbarrando no cartunesco em uma conclusão um tanto quanto clichê e maniqueísta, mas é aí que Depp e Langella seguram a barra.

O Último Portal acaba sendo salvo pela qualidade indiscutível de Polanski na direção, e apreço do diretor pelo tema (dizem as más línguas que ele próprio fez um pacto com o Tinhoso), assim como a qualidade do texto, mas apesar de ser um bom filme, acaba se perdendo um pouco e fica aquém de todo o potencial que poderia alcançar, e isso gera certo desapontamento e os sentimentos divididos com relação ao mesmo.

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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. e falando em johnny depp poderia fazer a critica também do filme janela secreta que foi baseado no conto do stephen king ……na época q depp n tinha preguiça d atuar

  2. Matheus L. CARVALHO disse:

    FILME EXCELENTE!!!!!!!!!!!!!!
    GOSTO MUITO!!!!!!!!!!!!!

  3. Faz tempo que eu vi, precisaria rever para dar uno veredicto

  4. Filme ótimo, além de ser delicioso de assistir. Destaque também para a trilha, meio leitmotiv, sempre igual e inesquecível.

  5. Luiz Carlos Marcolino disse:

    Parabéns pelo post! Revendo o filme me dei conta de uma coisa, o Depp daria um ótimo John Constantine. O Corso já é, basicamente, o Constantine, é inteligente, mau-caráter, canalha e fuma o tempo todo.

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