untitled

Review 2015: #27 – Nightlight

Quando você pensa que já viu de tudo no cinema de terror, eis que aparece um filme com o POV de uma… LANTERNA!


Quando você pensa que já viu de tudo no cinema de terror, eis que PAH!, aparece um filme com o POV de uma… LANTERNA! Sim, é isso mesmo que você leu. Tecnicamente, Nightlight não é um found footage, pois ele não foi “gravado e encontrado”, e também não é um mockumentary, nenhum desses subgêneros mais moderninhos (e batidos) do horror. É só um filme em que a visão do expectador, o ponto de vista do fulano que tá sentado do outro lado da tela, é o de uma lanterna, acredite se quiser.

Tá, sem dúvida temos de pensar que a ideia dos diretores Scott Beck e Bryan Woods, também responsáveis pelo roteiro, é no mínimo, original e inusitada. Mas a pergunta é: funciona? A resposta é: claro que não! Porque um filme desse tipo vai seguir exatamente a mesma cartilha e estética dos malhados found footage, que cada ano que passa e a cada filme que estreia, aumenta o número de pessoas que os colocam em sua lista negra, ou seja, popularidade caindo pelas tabelas, muito por conta da quantidade de produções do subgênero lançadas de baciada e abuso sempre da mesma fórmula repetida à exaustão.

Sabe o lance da floresta dos suicídios japonesa, que inclusive é a temática do longa Floresta Maldita, com a Natalie Dormer, que estreou nos EUA no começo do ano que vem e chega ao Brasil só em março? Pois bem, em Nightlight há uma floresta genérica parecida com essa: a floresta de Covington, um local misterioso com um passado sinistro, onde jovens problemáticos vão para se suicidar.

Certa noite, um grupo de cinco adolescentes, Robin (Shelby Young), Nia (Chloe Bridges), Chris (Carter Jenkins), Ben (Mitch Hewer) e Amelia (Taylor Murphy) resolvem brincar de um jogo chamado “nightlight” na famigerada floresta, que nada mais é que um pique-esconde: um deles fica de olhos vendados, conta até cem e todos os outros se escondem. A diferença é que é no breu de uma floresta à noite, que, detalhe, tem a pecha de mal-assombrada, munido apenas de uma lanterna. PENSE NUM JOGO INTELIGENTE? Caso você passe muito tempo zanzando sem encontrar ninguém, a regra é gritar “nightlight” e todo mundo aparece e a brincadeira recomeça.

Cadê o manual do escoteiro mirim numa hora dessas?

Cadê o manual do escoteiro mirim numa hora dessas?

Bom, nem preciso entrar no detalhe que a coisa vai degringolar e os jovens começarão a passar por experiências sobrenaturais e de possessão, pelos espíritos que vivem ali naquele local maldito, em especial de Ethan (Kyle Fain), rapazola que logo no começo da fita grava um vídeo de suicídio e tira a vida no local, no ano anterior. E ele possui uma ligação íntima com Robin, a única que o conhecia, que será contada no decorrer da trama, se você conseguir aguentar firme até lá.

Não bastasse o conceito bobo e batido, há um monte de clichês que vão se amontoando um em cima do outro, frame após frame, tudo pelo ponto de vista da tal lanterna do menino Ethan, que Robin pegara para ela e a usa para participar do jogo. E já sabe, se a lanterna começa a falhar, você fica no escuro, sem enxergar nada, assim como os protagonistas. Então se prepare para cenas intermitentes e tremidas.

Você tem que ser muito, mas muito impressionável para sentir medo em Nightlight, afinal, não estará vendo nada de novo no front, e parece que está se deparando com uma colcha de retalho de todos os outros filmes do gênero, isso sem contar, claro, aquelas cenas de correria, os jumpscare e todos os elementos possíveis da cartilha do terror sem criatividade: barulhos na floresta, vultos aparecendo rapidamente no foco da câmera, interiores escuros, perda de sentido, choros e gritos, com tudo convergindo para um final de vingancinha sobrenatural (óbvio, diga-se de passagem) com direito até a possessão, cruzes invertidas e telecinese.

Nightlight tem uma ou outra cena interessante (como, por exemplo, dos postes de luz que são ativados por um sensor de movimento, e vão disparando conforme o encosto vai se aproximando), mas que perdido em todo o resto tão enfadonho e cansativo, mostra-se apenas como um exercício de terror canhestro e previsível, completamente subaproveitado.

Não há absolutamente nada que jogue um facho de luz nessa produção, com o perdão do trocadilho.

 

1 lanterna para Nightlight

Exame de vista

Exame de vista

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *