MK1_5074.dng

Review 2016: #24 – Invocação do Mal 2

James Wan entrega um filme de terror pipoca correto, tecnicamente perfeito, com algumas boas sequências de susto, mas que apenas se limita a sua velha fórmula e não traz nada de novo


Em 2013, James Wan, diretor de Jogos Mortais e Sobrenatural, assustou o mundo inteiro com Invocação do Mal, levando para as telas o tais “arquivos reais de Ed e Lorraine Warren”, uma das mais famosas duplas de investigadores paranormais, com milhares de casos documentados sobre atividades sobrenaturais, faturando mais de 318 milhões de dólares de bilheteria no mundo todo, uma cifra absurda para um filme de terror.

Obviamente, não demoraria para se tornar uma franquia, primeiro com a chegada do também arrasa-quarteirão spin off Annabelle, e agora, com Invocação do Mal 2, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, cercado de expectativa, baseado em um dos mais documentados casos de ocorrência paranormal da história: O Poltergeist de Enfield.

No final dos anos 70, a família Hodgson, residentes de Enfield, no norte de Londres, foi vítima de ocorrências paranormais em sua casa, que envolveram principalmente as irmãs Janet e Margareth, de respectivamente 11 e 14 anos. O caso foi analisado e estudado por Maurice Grosse, membro da Sociedade de Pesquisa Psíquica, ao lado do parapsicólogo Guy Lyon Playfair.

Em Invocação do Mal 2 há uma forte livre interpretação desses fatos reais, colocando Ed e Lorraine, vividos novamente por Patrick Wilson e Vera Farmiga, no epicentro dos acontecimentos, sete anos mais tarde dos eventos ocorridos na fazenda da família Perron, no primeiro filme, e após participarem das investigações do infame caso de Amityville (como retratado no prólogo), sendo que na verdadeira história do Poltergeist de Enfield, eles tiveram uma participação mínima e por conta própria, sem nenhum real envolvimento efetivo com o caso.

O filme é tecnicamente perfeito, tanto no domínio de câmera, situações, construção de atmosfera, sequências de susto, direção de atores, fotografia e ambientação. Wan de fato é um dos nomes mais fortes do cinema de terror atualmente, e um dos melhores diretores do gênero, mas está longe de ser um mestre como muitos cravam. O malaio conseguiu na verdade encontrar uma fórmula ideal para o cinemão pipoca de horror, a qual ele sempre repete, que agrada tanto gregos quanto troianos, mas também acaba se limitando a isso e não consegue apresentar nada de original ou criativo em seus filmes.

Screen-Shot-2016-03-26-at-3.48.39-PM

Nunsploitation

 

Está tudo lá em Invocação do Mal 2, mas isso faz dele um filme ruim? Não, de forma alguma, mas também não é um filme bom. É mediano, correto, sem correr nenhum tipo risco, que se apega a técnica exímia, algumas ótimas cenas de tensão e medo, a força da atuação do elenco, principalmente da jovem Madison Wolfe como Janet Hodgson, que está ótima, ao drama familiar e empatia do público com o martírio sofrido pela família e o altruísmo dos Warren.

Ele se perde justamente nos sempre tão criticados terceiros atos de Wan, ao dar uma explicação muito exagerada sobre o ser demoníaco, tentando de alguma forma correlaciona-la com os Warren e suas investigações anteriores, contrariando tanto a história original do Poltergeist de Enfield, quanto o que vinha sido trabalhado tão bem até então, e claro, aquele surtado final inevitável, que apela para o uso de CGI, ação frenética, luzes piscando, ventania, gritos e cenas heroicas.

No frigir do ovos, Invocação do Mal 2 não apresenta absolutamente nada de novo, tornando-se uma experiência cinematográfica comum, que não consegue superar o original. E olhe que o longa é muito menos afetado, mais contido e atmosférico, utiliza o recurso do jumpscare até de forma comedida (muito menos do que se imaginava vendo os trailers) e deixou de lado a panfletagem carola que tanto incomodou no primeiro longa.

Certamente Invocação do Mal 2 será mais um sucesso de bilheteria, arrastando uma multidão para os cinemas, faturando uma grana preta, assustará um monte de gente, exatamente pela capacidade de Wan em se comunicar com o cinema mainstream total de terror e seu público, sem perder a qualidade e entregando um produto honesto, superior aos enlatados hollywoodianos aos quais estamos acostumados, mas ainda assim, perde a chance de fazer algo diferente e original para um gênero que o superestima tanto.

 

3,5 freiras fantasmagóricas para Invocação do Mal 2

MK1_4255.dng

Mesa branca

 

 

 

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. alucardcorner disse:

    Só liga a critica na diagonal, mas a Invocação do Mal 1 trazia alguma coisa de novo? Talvez seja eu só eu que tenho mau feitio 😀

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *