grave-encounters-movie-ghost-screaming

880 – Fenômenos Paranormais (2010)

grave-encounters

Grave Encounters


2010 / Canadá / 92 min / Direção: The Vicious Brothers / Roteiro: The Vicious Brothers / Produção: Shawn Angelski; Michael Karlin, Laura Brooke Toplass (Produtores Associados); Shawn Angelski, Mark Knetchel, Colin Minihan, Stuart Ortiz, Steve Sheils (Produtores Executivos) / Elenco: Ben Wilkinson, Sean Rogerson, Ashleigh Gryzko, Merwin Mondesir, Juan Riedinger


Sabemos que a chegada do big hit de bilheteria, Atividade Paranormal nos cinemas em 2009 foi o responsável por dois movimentos: o estouro dos filmes independentes feito com pouco grana para atingir um nicho específico que consome de forma rápida e descartável esse tipo de produção, dando o pontapé inicial ao “império” cinematográfico ao melhor estilo “fritar pastel” da Blumhouse Pictures, e a massificação do found footage  de vez, como o mais “notável” subgênero do final da década passada e começo desta.

O que teve de filme que copiou a estética do falso documentário ou da fita encontrada, tentando surfar na mesma crista da onde do filme de Oren Peli, produzido por Jason Blum, não está no gibi. Porque até então, sejamos sinceros, tínhamos aí uns found footage muito dos bons lançados mais ou menos na mesma época, como Cloverfield – Monstro, Diário dos Mortos, REC e até O Caçador de Troll. Mas talvez o grande responsável por degringolar de vez o subgênero foi esse sofrível Fenômenos Paranormais.

Vale um parêntese pela PICARETAGEM sem tamanho do título dado no Brasil pela sempre insuperável Paris Filmes, que se aproveitou do sucesso de Atividade Paranormal para batizar aqui em Terras Brazilis, Grave Encounters como FENÔMENOS PARANORMAIS. Merece o troféu joinha!

graveencounters.jpg

1, 2, 3, gravando

Bom fato é que o longa dirigido pelos Vicious Brothers é tão ruim, mas tão ruim, um amontoado de clichês, jumpscare, atuações do mais baixo calibre, e trazendo tudo de ruim que um found footage pode oferecer, que qualquer nome ele fosse lançado aqui ou em outro país do mundo, resolveria sua situação. Fora que Fenômenos Paranormais também, propositalmente ou não, pode até ser considerado um marco viu, por ser dos pioneiros a abusar de faces assustadoras distorcidas digitalmente com olhos e boca profundamente negros e maxilar esticado, recurso xumbegra hoje usado a exaustão em qualquer filmeco sobrenatural.

O roteiro, também dos irmãos viciosos, pega a batida história de um hospital psiquiátrico abandonado onde um doutor louco fazia experimentos nos pacientes. Sim, para que fazer algo original? Lance Preston (Sean Rogerson) é o arrogante e obstinado apresentador de um programa chamado “Encontros Macabros” – o tal do Grave Encounters original – um reality show de caça-fantasmas que tenta filmar manifestações sobrenaturais em locais mal-assombrados.

A fita começa com o produtor do show, Jerry Hartfield (Ben Wilkinson) dizendo que recebeu as filmagens do sexto episódio da série, que não sofreu nenhuma alteração e foi apenas editada para se tornar o vídeo que o incauto espectador irá assistir. Pelo menos isso ajuda a resolver uma das principais questões do subgênero que nos aflige: quem edita os found footage?

Grave.Encounters.2.2012-fanart.jpg

Patrulha da noite

Enfim, o grupo de caçadores de fantasmas charlatões ficarão trancados no hospício durante toda a madrugada, sem poder sair de lá, com os zelador voltando apenas na manhã seguinte para libertá-los. Não tarda para que, hã, fenômenos paranormais aconteçam, eles comecem a lutar por suas sanidades, atormentados pelos fantasmas dos antigos pacientes, tudo filmado em visão noturna pelas câmeras, e os sujeitos se vejam presos em outra dimensão paralela, onde o tempo passa de maneira diferente e a arquitetura do manicômio, como portas, salas e corredores vão sendo alteradas, para que eles não consigam sair.

Isso de fato é uma das poucas ideias interessantes e que se aproveita num filme completamente enfadonho, cheio de sustos fáceis, fantasmas em CGI, vícios de linguagem e uma explicação canhestra que envolve rituais e coisas do tipo, que não serve para salvar a total perda de tempo em ver Fenômenos Paranormais passar em frente aos seus olhos, até aquele pretenso plot twist com um final tosco.

Duro que como disse lá em cima, uma porcaria dessa ainda conseguiu deixar um péssimo legado, abrindo a porteira para um monte de produção duvidosa e de baixa qualidade de found footage lançada até hoje, e os tais rostos digitalmente deformados de fantasmas com suas bocarras e grandes olhos negros, tipo esse aí da imagem de cabeçalho do post.

grave-encounters-movie-ghost-screaming.jpg

Boquiaberta!


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *