NightmareOnElmStreet08

882 – A Hora do Pesadelo (2010)

A+Nightmare+on+Elm+Street+(2010)

A Nightmare on Elm Street


2010 / EUA / 95 min / Direção: Samuel Bayer / Roteiro: Wesley Strick, Eric Heisserer / Produção: Michael Bay, Andrew Form, Brad Fuller; John Rickard (Coprodutor); Richard Brener, Mike Drake, Walter Hamada, Michael Lynne, Dave Neustadter, Robert Shaye (Produtores Executivos) / Elenco: Jacki Earle Haley, Kyle Gallner, Rooney Mara, Katie Cassidy, Thomas Dekker, Kellan Lutz, Clancy Brown, Connie Britton


Ai vamos lá, talvez o post mais polêmico da minha vida, mas como eu sempre digo, gosto é que nem braço, e eu gosto de alguns aspectos do mal-afamado remake de A Hora do Pesadelo. Vou tenta-los explicar aqui os motivos, mas sei que não vão convencer ninguém, porque de fato, o filme é bem ruim.

Vamos começar partindo do pressuposto que a produção da Platinum Dunes, de Andrew Form, Brad Fuller e Michael Bay, que já havia mexido no vespeiro antes refilmando O Massacre da Serra Elétrica, Horror em Amityville e Sexta-Feira 13, não tem a menor intenção de fazer com que o clássico incomparável de Wes Craven de 1984 deixe de existir ou tomar seu lugar em nossos corações. Na real isso vale para qualquer outro remake.

Então a minha questão com esse infame A Hora do Pesadelo sempre foi analisar em quais os motivos dentro de um filme tão controverso e odiado, até pelo próprio Wes Craven, ele poderia ter alguma fagulha de decência ou de originalidade, que o tornasse tolerável para mim, fã de carteirinha da cinesérie e de Freddy Krueger.

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Escolinha do Professor Freddy

Vamos lá, pra começo de conversa temos que discorrer sobre a própria figura do sujeito de suéter vermelho e verde, luva de garras e chapéu Fedora. Robert Englund é insuperável. Mas, Jack Earle Haley é um puta ator, que não faz feio. O grande, grandessíssimo, gravíssimo problema é a primeira vez que ele abre a boca – e daí por diante – pois a impressão que sempre dá é que ele vai soltar um: “13 de outubro de 1985. 23h30. Sexta à noite, um comediante morreu na cidade de Nova York”.

Porra né, pelo menos fazia uma voz diferente do Rorschach? Enfim, tirando isso, nós temos um verdadeiro Freddy Krueger maligno. Ruim de lascar, assustador, algo que não víamos desde, bem, A Hora do Pesadelo original, ora bolas, uma vez que no decorrer da franquia, ele foi passando por um processo de didimocozação (como já comentaram brilhantemente aqui no blog e eu adorei o adjetivo) e fazendo piadinhas infames ao praticar suas mortes rocambolescas. Pelo menos esse espírito cruel de Krueger foi revivido.

Outro ponto, que talvez seja o que mais tenha me dado esse guilty pleasure pelo filme é a forma como algo completamente subentendido no cânone original, foi escancarado aqui, e talvez, uma das coisas que mais incomodou muitos fãs do Freddy, que o viam mais como um anti-herói da infância que um nefasto vilão propriamente dito: a pedofilia! SIM GALERA, o Freddy é um pedófilo, molestador de crianças para quem nunca realizou isso de fato, tá? Por isso ele foi queimado vivo pelos pais de Springwood. Ele abusava de menininhos e menininhas. Isso é uma parada bem pesada, suja, amoral, psicopata, anexa a personalidade vingativa do monstro, explorado, de forma até nojenta por Haley.

Falando em queimado vivo, outra grande controvérsia é a aparência de Krueger. Tudo bem, eu concordo que está bem estranha, parece um alienígena, mas se formos parar para levar em conta algum tipo de acurácia médica, Haley está muito mais parecido com uma vítima de queimadura grave do quê Englund, e essa era a intenção do time de maquiagem, que estudou fotos de queimados de verdade, e por isso, a falta de lábios e do nariz, já que a mucosa é a primeira coisa que vai pro saco nesse caso, e a mesma coisa com as sobrancelhas.

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Ai se eu te pego!

Não vamos ter uma protagonista forte como o Nancy Thompson de Heather Langenkamp, substituída por uma fraquíssima Rooney Mara como Nancy Holbrook, e mesma coisa vale para os protagonistas, que é um bando de emos cheios de mimimi, diferente da galera fodida do primeiro filme (pais separados, mãe alcoólatra, etc, etc).  Mas temos alguma cenas filmadas praticamente quadro por quadro, exatamente para respeitar e prestar uma homenagem ao original de Craven.

Na real, eu acho que temos que culpar muito mais a audiência, ao novo público o qual esse Freddy foi direcionado, uma vez que não funcionaria aquele vilão dos anos 80, do que os produtores em si, e apesar dos apesares, sacar a tentativa de trazer algo mais próximo da maldade inerente idealizada por Craven, e explorar algo mais factível dentro do sentimento de vingança, persona e aparência do Titio Freddy, mais ou menos como tentaram fazer com o Jason no novo Sexta-Feira 13, tratando-o como um caçador territorialista.

Acontece que sim, no final das contas, A Hora do Pesadelo é um filme bosta, clichê, previsível, péssimo roteiro, atuações, direção nada inspirada, mereceu ter sido execrado por público e crítica e enterrado qualquer oportunidade de uma sequência. Só que ainda assim consigo ver algumas qualidades nele que não o transforma também no maior lixo cinematográfico já feito. Ele respeita muito mais o original do que aquela bomba do Halloween – O Início de Rob Zombie, por exemplo, que descaracterizou completamente o Michael Myers, e tem muuuuuita gente aí que gosta e defende aquela atrocidade. Então, tô no meu direito…

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Imagine o barulho da agonia


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Ramon disse:

    Eu achei esse filme ok. ..gostei dele trazer um freddy krueger sem piadas de novo,gostei da atuação do jake earle halley. ..o problema é o resto do filme que é bem ruim kkk

  2. Papa Emeritus disse:

    Gostei do seu ponto de vista.

    Pra mim é o seguinte. “A Hora do Pesadelo” original foi o primeiro filme de terror que eu vi na vida. Se não me engano vi a primeira vez em 1989 no SBT (com a dublagem clássica, em que o dublador do Freddy era o mesmo dublador do Arthur Bicudo da Punky Brewster, kkkkk, e a dubladora da Nancy era a dubladora da Chiquinha do Chaves). O filme de 1984 não só me fez ficar apaixonado por filmes de terror como também por cinema de um modo geral. E não é um daqueles filmes ruins que a gente via na infância e achava bom e depois quando cresce percebe que é ruim. Não, o filme original É MUITO BOM. Eu continuo gostando dele até hoje (e olha que eu já vi ele mais de 50 vezes se não estiver enganado). Ou seja, ele não apenas pra mim tem o fator nostalgia como o filme em si é ótimo. Então, o que eu esperava de um Remake? Que trouxessem o mesmo clima do filme de 1984. E isso nem de longe aconteceu. O remake tem o mérito de tentar fazer o Freddy sem as infames piadas que assolaram a franquia original a partir da Parte 2 em diante. Mas apesar do novo Freddy não fazer piadas como o original, ao mesmo tempo ele conversa demais com suas vítimas (no filme original o Freddy era direto nas palavras). As atuações do remake são terríveis. Existe alguma atuação magnífica no filme original digna de oscar? Não, até o Johnny Depp tava começando a carreira. Mas TODAS as atuações do filme original são NO MÍNIMO convincentes. A Nancy da Heather Langenkamp é um daqueles RAROS casos de filme de terror em que o espectador se interessa pela mocinha (na maioria dos casos a gente torce pelo assassino/monstro). Esse é um dos trunfos do filme original, o que fazia tornar o Freddy mais assustador e ameaçador, pois você não quer que a Nancy morra, pois ela é uma personagem interessante no filme. Além da crítica as famílias disfuncionais que Wes Craven faz, da citação a Evil Dead, das metáforas. Sem falar que o original conseguia confundir o espectador em algumas cenas, pois a gente não sabia quando os personagens estavam dormindo ou acordados. No remake quando é sonho muda a paleta de cores da imagem. Sem falar dos efeitos digitais toscos que esse remake tem (os efeitos práticos do original dão de mil a zero nesse remake).

    Agora, eu vi esse remake umas 5 vezes, eu acho, e eu pude perceber que ele não é tão ruim quanto “A Hora do Pesadelo 6”. Só que “A Hora do Pesadelo 6”, apesar de ser uma bosta de filme, consegue ter em mim o fator nostalgia (foi o primeiro filme em 3D que vi no cinema). Talvez por isso eu fique menos puto com o 6º filme da franquia original do que com o remake. kkkkkkkkkkk. Enfim, esse remake não me desce de jeito nenhum… MAS… eu tenho que concordar com você numa coisa, os DOIS filmes de Halloween feitos pelo Rob Zombie conseguem ser MUITO piores que esse remake da Hora do Pesadelo. Eu acho o remake do Freddy até assistível, mas os dois filmes que o Rob Zombie fez eu acho INSUPORTÁVEIS.

    Abraços!

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