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883 – A Horrible Way to Die (2010)

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2010 / EUA / 97 min / Direção: Adam Wingard / Roteiro: Simon Barrett / Produção: Simon Barrett, Kim Sherman, Travis Stevens; E.L. Katz, Joseph McKelheer, Brad Miska (Produtores Associados); Zak Zeman (Produtor Executivo) / Elenco: AJ Bowen, Amy Seimetz, Joe Swanberg, Brandon Carroll, Lane Hughes, Holly Voges


Tá ligado aquele novo movimento do cinema indie americano de terror que eu sempre venho falando por aqui? Pois bem, podemos dizer que A Horrible Way to Die tenha sido a verdadeira pedra angular dessa cena e o efetivo pontapé inicial a essa fresca e dedicada visão de cinema independente de gênero vindo dos EUA.

Isso graças a dupla Adam Wingard e Simon Barrett, os dois nomes mais importantes do movimento conhecido como mumblegore, junto com Ti West, David Bruckner, E.L. Katz e Roxanne Benjamin, todos no início/ meados dos seus 30 anos, baseados em Los Angeles, que cresceram assistindo a Nova Hollywood e o cinema de terror dos anos 70 e 80, chegando a cadeira de diretor e dando início a essa nova safra que hoje, sem a menor sombra de dúvida, é responsável pelo que há de mais interessante no gênero, que é o terror indie americano.

O termo mumblegore nasceu cunhado como uma derivação do mumblecore, que em tradução livre significa “geração do resmungo”, movimento artístico do cinema independente de drama americano, de confecção simplória, baixíssimo orçamento, uso de câmera digital, locações caseiras e iluminação ambiente, elenco de atores não-profissionais e improviso, cujas exibições frequentam o circuito de festivais, principalmente Tribeca, SXSW, Sundance, e por aí vai.

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Plato o plomo?

Pois bem, se pararmos para pegar essas características descritas acima, A Horrible Way To Day se encaixa em todas elas, por isso, foi lhe dado a comparação como um genuíno mumblecore de horror. Logo, a analogia e a troca da letra C pela G fez todo o sentido do mundo, já que essa “geração do gore”, também não deixa barato a quantidade de sangue que escorre pelas telas em seus filmes completamente autorais.

A nervosa, tremida e descontrolada câmera na mão de Wingard que dá ao filme tanto ar documental, quase como se fosse um found footage, como de colocar o espectador como um voyeur não convidado, alternando gravações fora de foco, zoom in e out, transições desconexas de cena, narrativa não linear e uso mínimo de luz, segue um serial killer, Garrick Turrell (AJ Bowen) que escapa da prisão e percorre o interior dos EUA em busca de sua ex-namorada, Sarah (Amy Seimetz), que tenta recomeçar sua vida no Missouri rural, enquanto frequenta as reuniões do AA, onde conhece, Kevin (Joe Swanberg), também ex-alcoólatra em recuperação.

O filme inteiro transmite além da sensação de tragédia anunciada, acompanhando o inexplicável rastro de sangue deixado por Garrick em suas cruéis mortes, o drama emocional de Sarah acompanhado de perto, de forma até íntima e invasiva, quando começa a se envolver com Kevin, após uma passado traumático e a total perda de confiança.

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Definitivamente um jeito horrível de morrer

Assistir A Horrible Way to Die é uma puta experiência de desconforto que afeta a capacidade de concentração do espectador, muito por conta da escolha estética de filmagem utilizada por Wingard, como o vai e vem narrativo que alterna, sem quase nenhuma distinção, os flashbacks do passado disfuncional do casal e situações do presente, pontuado por uma trilha sonora completamente minimalista que também não alivia em nada. E vamos lá, no quesito sangue, violência gráfica e mortes brutais, o filme também dá sua bela contribuição.

Mas quando chegamos no seu terceiro ato que o roteiro de Barrett dá um pulo do gato SENSACIONAL, em algo que podemos chamar de um digno plot twist, depois de todo aquele processo de slow burning, que concatena os acontecimentos, dando um sentido macabro a história, mesmo que ali ainda deixe muitas ponta soltas e evidencie alguns buracos no roteiro, mas que não tiram em nada o impacto da visceral cena da cabana no meio da neve. O pior de tudo é a sensação mais desconfortável ainda, como se não bastasse tudo que o filme causou, de você ver a inversão de papeis ali e acabar torcendo por Garrick, que sabemos logo desde o começo que não é nenhum mocinho também.

A Horrible Way To Die, vencedor do prêmio do júri de melhor roteiro para Barrett, melhor ator para Bowen e melhor atriz para Amy Seimetz no Fantastic Fest de 2010, quando termina, depois de todo o choque e gore, fora a difícil compreensão e assimilação de seu cérebro aquela propositada estética cinematográfica DIY, mostra todo seu verdadeiro poder e prova como hoje podemos olhar para trás, sacando toda a influência do longa de Wingard, batizando de fato todo um novo e efervescente movimento cinematográfico, responsável por colocar novamente os EUA na crista da onda do gênero, que perdurou (e evoluiu) até pelo menos já o começo da segunda metade desta década.

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Numa gelada…

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Pablo disse:

    Imagine o que Wingard/Barrett aprontaram com a Bruxa de Blair..? Descobrirei isso em setembro.

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