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885 – O Lobisomem (2010)

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The Wolfman


2010 / EUA / 119 min / Direção: Joe Johnston / Roteiro: Andrew Kevin Walker, David Self / Produção: Sean Daniel, Benicio Del Toro, Scott Stuber, Rick Yorn; Stratton Leopold (Coprodutor); Bill Carraro; Ryan Kavanaugh; Jonathan More (Produtores Executivos) / Elenco: Benicio Del Toro, Anthony Hopkins, Emily Bunt, Asa Butterfield, Art Malik, Geraldine Chaplin, Hugo Weaving


Sabe quando a gente costuma conversar na mesa de bar sobre remakes, e o quanto eles são contraditórios e tudo mais? Vocês fazem isso também, não é? Bom, O Lobisomem de Joe Johnston e estrelado por Guillermo Del Toro com certeza é um desses exemplos práticos que se encaixa perfeitamente nessa discussão.

Afinal, ele gera misto de sentimentos, pelo menos para mim, que no frigir dos ovos acha uma bela porcaria, mas alguns elementos são interessantíssimos, principalmente no que se remete ao campo da homenagem. Claro que infelizmente no final, não acaba justificando sua existência, porém uma coisa ou outra vale a pena salientar.

A primeira é o fato de se fazer uma refilmagem do clássico dos clássicos da Era de Ouro da Universal, O Lobisomem de 1941, dirigido por George Waggner, estrelado pelo lendário Lon Chaney Jr. como o infeliz Larry Talbot, que sofre a maldição da licantropia que dá título ao filme, sob a inovadora maquiagem do mestre Jack Pierce.

Aliás, falemos de maquiagem: quem foi o responsável por transformar Del Toro em um lupino foi ninguém menos que Rick Baker, o sujeito que ganhou o Oscar® por Um Lobisomem Americano em Londres. Assim que a Universal anunciou o projeto, ele entrou no escritório dos executivos engravatados do estúdio querendo trabalhar no filme, afinal, foi exatamente a maquiagem de Pierce no original que o inspirou a se tornar maquiador. Abraçou o projeto e ganhou outro Oscar®, mais uma vez, por conta do monstro peludo.

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Quem nunca gostou de um remake, que jogue a primeira pedra…

Esse é um dos pontos altos do longa, apesar da insistência em trabalhar também com CGI em detrimento dos efeitos práticos em certos momentos, que acaba virando aquela velha coisa de sempre. O outro é o gore sem resguardo no Director’s Cut, com o lobisomem espalhando vísceras, dilacerando jugulares, amputando membros e tudo que o monstro tem direito em sua fúria selvagem uivando para a lua. O figurino e a fotografia também merecem atenção, além da trilha sonora de Danny Elfman.

Mas aí entramos no rol dos problemas do filme, que não são poucos. A direção de Jonhston não compromete, mas ele pegou uma batata quente passou pela mão de diversos diretores, cortes, adaptações, data de estreia adiada e todos aqueles problemas que estamos bem acostumados. Quando ele assumiu a cadeira, a fotografia principal já estava semanas adiantada, após a desistência de Mark Romanek e negativa de Brett Ratner, Frank Darabont, James Mangold, Bill Condon e Martin Campbell, sendo literalmente a última escolha.

O personagem de Anthony Hopkins, como pai de Larry, é um dos outros calcanhares de Aquiles do longa, exagerado, caricato, afetado, mais ainda que o Del Toro com aquela mesma cara de sofrência o filme todo que chega a irritar. Bom, se você assistiu ao filme, sabe que aquele final é uma boa porcaria, não o final final em si, mas aquela resolução de colocar Hopkins como o lobisomem original e aquela briga entre os dois na mansão… ARGH!

Mas assistir O Lobisomem não é uma tarefa hercúlea, nem desagradável. Mas também não é nada daquilo que poderia ter entregado. É aquele cinemão pipoca de Hollywood dos grandes estúdios, que acha que exagero, maniqueísmo, orçamento estourado, metida de pitaco de executivos e efeitos especiais conseguem fazer um bom filme (não estou falando de Esquadrão Suicida, tá?).

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Vai uma gilete, aí?


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Papa Emeritus disse:

    Apesar dos pesares, eu gosto desse remake. Eu acho que ele tem boas homenagens ao filme original. O maior problema pra mim é a CGI. Mas a maquiagem do Rick Baker, o figurino, a reconstituição de época, a fotografia, a trilha sonora, poxa, o filme tem muitos elementos bons, apesar de sofrer um pouco no roteiro e do CGI também atrapalhar. Eu não diria nem de longe que esse filme é um desastre. Pelo contrário, acho que é um remake de mediano pra bom. Inferior ao original, mas ainda assim não acho uma tragédia como foi o caso do Halloween do Rob Zombie.

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