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Supermax: o BBB dos presidiários

Nova série global de terror esqueceu o essencial: o clima


Já dizia Roger Corman, nos longínquos anos 50, que o dinheiro não está correlacionado à cinema de qualidade. Muito pelo contrário, o diretor se vê pressionado por quem banca a obra a impor certas condições que talvez atrapalhe seu processo criativo.

Com o mercado próspero de séries, as grandes produtoras chegam com seus caminhões de dinheiro e praticamente explodem na sua face efeitos especiais cada vez mais realistas, criando planos inimagináveis e enchendo nossos olhos com belas imagens. Mas, será que este é o ponto chave para criar cliffhangers que prendam o espectador ao próximo capítulo, num formato semanal ameaçado pelo Netflix?

Quando Supermax, nova série da gigantesca Globo fora anunciada, thriller e terror psicológico eram associados, tendo como grande esperança a quebra do tabu de seu conservadorismo, exibindo assim uma efetiva série de horror com a já conhecida qualidade técnica exibida em suas famosas telenovelas. Ledo engano…

Tudo junto e misturado

Tudo junto e misturado

A principal característica que uma nova proposta de série precisa ter é aquele clímax, aquele tchan que deixe o espectador com a pulga atrás da orelha, pensando no desenvolvimento da trama para os próximos episódios e criar expectativa. Este sentimento em Supermax é nulo, uma vez que o canal do PLIM-PLIM parece repetir a fórmula doreality show proprietário, Big Brother Brasil, como um caça-público fácil, colocando o insuportável Pedro Bial como host do famigerado programa, com direito até a provas dos líderes e confessionário.

Uma breve apresentação dos condenados participantes é feita ao público do tal reality e Bial os alerta sobre as dificuldades e perigos de ficarem confinados na prisão, localizada no meio do mato. Uma tentativa de se criar tensão ali vai por água abaixo pois a receita formulaica das novelas logo vem à tona em conflitos pífios e sem nexo, apenas para criar motivações e encher linguiça.

Para que a série crie uma empatia com o público, a escolha do elenco global já é figurinha carimbada de outrora, onde aqui contamos com Mariana Ximenes, Ademir Emboava e Cléo Pires de dread (pois é!), por exemplo. Mas o que se destaca, mais até do que os rostinhos conhecidos, são duas cenas onde uma o sangue adentra uma das celas dos participantes e outra onde um rápido frame de um monstrengo é jogado na tela, ficando no ar se fora um devaneio de uma das participantes ou se algo de podre aconteceu.

Merece só uma espiadinha…

Merece só uma espiadinha…

Como a proposta da série é (ou seria) realizar algo nunca visto na televisão brasileira, estas duas cenas podem ser consideradas até mentirosas, isoladas, pois não se sustentam dentro de uma trama fraca. Demonstra-se aí que, mesmo tendo iniciativa de tentar algo realmente diferente, a emissora da família falha na própria proposta de romper a barreira do gênero no Brasil, permanecendo no convencional e se restringindo no fácil, didático e ‘aceitável’ de seu público maioral, mesmo tendo um nome como Dennison Ramalho no roteiro, único da produção já familiarizado com o terror em sua carreira.

Supermax, em seu primeiro episódio, não possui nenhum atrativo para que nos faça querer revisitar a prisão de segurança máxima, a não ser a esperança de que ela possa vir a melhorar com o passar dos episódios. Como a esperança é a última que morre, você pode arriscar por conta própria, acreditando que a série faça jus ao trailer há tempos divulgado, porém com a ressalva de que talvez presencie um crossover entre novelas globais e o BBB.

Livrai-nos desta prisão (e desta série)

Livrai-nos desta prisão (e desta série)


Guilherme Lopes
Guilherme Lopes
Mineiro de nascimento e paulista de criação, vê nos filmes de terror e afins a diversão e bode expiatório para não cometer atrocidades na vida real. Não se engane com sua carinha de anjinho: ele não rebobinava as fitas antes de devolver à locadora.

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