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HQRROR #19 – Lot 13

Uma viagem conturbada…


O gênero horror é amplo e possui vários níveis de profundidade.  Existem aquelas tramas intensas, que nos tiram o ar por mexerem com algo além do nosso medo. Essas são as minhas favoritas. Mas, de vez em quando, é bom dar uma desacelerada nos questionamentos da vida e tentar apenas se entreter. Para quem está buscando isso nos quadrinhos, Lot 13 é uma boa opção.

A HQ é uma história paranormal que conta a viagem de uma família de classe-média americana até a sua nova casa. Quando eles chegam lá, só será possível entrar na casa dois dias adiante. Buscando resolver essa situação, o pai da família começa a procurar um hotel para que eles se hospedem. Tudo está fechado ou está muito longe de onde eles se encontram.

O descontentamento familiar que começa a crescer com a situação é subitamente dissipado quando um hotel na rodovia é avistado. Na curta estadia, a família começa a perceber que existe algo errado com o local onde eles estão, muito errado. Essa é uma daquelas HQs que não busca explicar com detalhes aquilo que está acontecendo. É daquelas histórias nos atira no meio do olho do furacão e diz “divirta-se”.

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Particularmente, eu costumo ficar decepcionado com narrativas desse tipo. Elas tendem a nos apresentar argumentos com muito potencial, só que mal desenvolvidos ou abdicam de um bom roteiro para abusar de recursos simplistas, na maioria das vezes relacionados à violência. Alguns bons exemplos, já resenhados aqui, são Hellraiser: Masterpieces Vol. I e II  e Estranho Beijo . O caso de Lot 13 é distinto desses.

Na história, somos levados do presente para o passado, apresentados a dimensões paralelas perturbadoras e seres amaldiçoados. Essa mistura de elementos torna a história muito ágil e permite que os ganchos entre as edições de fato deixem o leitor na expectativa sobre o que virá, uma vez que não sabemos mais o que esperar.

Acredito que esse movimento tem como intuito nos remeter a séries televisivas, como Tales of Crypt, que apresentavam antologias de curtas histórias de horror sem grandes roteiros ou personagens marcantes. A ideia é o terror pelo terror. Também temos alguns personagens coadjuvantes bem estruturados em seu comportamento e com trágicas histórias de vida muito bem posicionados pelo enredo para que o interesse na narrativa se mantenha.

A relação da família é outro ponto que deve ser destacado. Não temos muitos dados sobre quem eles são ou quais são as suas motivações mais profundas. Entretanto, fica bem claro que é justamente essa a intenção. Existe uma estereotipização consciente dos protagonistas da história gerando um distanciamento, também intencional, do leitor.

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A fantástica arte de Glenn Fabry também precisa ser mencionada. O realismo dos quadros causa uma mistura de fascínio e repulsa. Já nas primeiras páginas da edição inicial, a morte é posta diante de nossos olhos como em uma fotografia. Essa pegada realista ganha ainda mais peso quando é necessário retratar as assombrações da história.

Na maioria das obras que retratar assombrações, as representações de espíritos buscam dar ênfase a condição imaterial desses seres. Eles não têm a mesma relação que os vivos possuem com as leis da física e, justamente por isso, são mostrados como faixas de luz com rostos ou os clássicos “lençóis assombrados”. Fabry toma o caminho oposto ao dos clássico e dá a esses seres uma organicidade impressionante. Ele cria monstros fantasmas/zumbis tão realistas que só falta ter cheiro.

Sem a pretensão de ser mais do que aquilo que realmente é, essa HQ conta com uma história divertida e uma arte de cair o queixo. Para os fãs do horror que estão buscando apenas se entreter com algo visualmente bem feito, Lot 13 é uma ótima dica.

Ficha Técnica:

Lot  13 – 2013 – Minissérie em 5 edições não lançada no Brasil

Roteiro: Steve Niles

Arte: Glenn Fabry

Colorização: Adam Brown

Editora: DC Comics

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Tauami de Paula
Tauami de Paula
Estudante de Letras e de Filosofia, esse apreciador do absurdo e do inexplicável sempre encontrou mais sentido na arte do que na vida. Sendo raramente visto fora de casa, passa os dias lendo, escrevendo e criando teorias sobre tudo aquilo que não entende.

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