Ash vs Evil Dead Season 2 2016

Ash is back!

Ash vs Evil Dead retorna em sua segunda temporada continuando o fanservice, aumenta o pastelão e aposta nos mesmos elementos groovy


Quando estreou o piloto de Ash vs Evil Dead, escrevi por aqui que rever Bruce Campbell munido de sua boomstick e serra elétrica, foi como revisitar um amigo que não víamos a tempo, mas conhecíamos todos seus trejeitos, piadas infames ou atitudes jocosas.

Pois bem, com a volta de Ashley J. Williams à sua eterna luta contra os deadites na estreia da segunda temporada, que rolou no canal Starz gringo no último domingo, a sensação é que esse velho amigo só saiu para comprar um cigarro – em Jacksonville, para ser mais preciso – e já voltou, sem parecer que rolou um hiato de 10 meses do final da temporada anterior.

Aliás, vale lembrar que o season finale foi completamente broxante, com um cliffhanger nada empolgante, que aqui nesse recomeço, os roteiristas tentaram de forma ultra rápida esquecer o caos deixado por Ash em sua barganha egoísta com Ruby (a personagem de Lucy “Xena” Lawless) ao trocar o Necronomicon por uma vida simples, fácil e cheia de farras, por uma quase que imediata volta à ação, junto de seus fieis sidecicks, Pablo (Ray Santiago) e Kelly (Dana DeLorenzo).

Ash vs Evil Dead Season 2 2016

Você nunca mais verá o ato de abrir uma cerveja da mesma forma!

Enquanto o tiozão escroto está lá em Jacksonville abrindo um barril de cerveja com sua serra elétrica, cercado de adolescentes em uma festa ao melhor estilo spring break, Ruby perdeu o controle sobre seus “filhos”, uma nova versão 2.0 dos deadites, e Ash, é o único que poderá ajuda-la a recuperar o livro roubado e mais uma vez, salvar a humanidade.

Para isso, enquanto no final da primeira temporada ele precisou encarar seus demônios (viu o que eu fiz aqui?) e voltar para a famigerada cabana onde ele libertou as criaturas kandharianas escutando a velha gravação do professor Knowby, agora ele precisa retornar a outro local e confrontar diferentes fantasmas de seu passado: sua cidade natal, Elk Grove, Michigan.

Logradouro esse em que ele foi obrigado a sair depois de ter esquartejado seus amigos possuídos naquele final de semana fatídico e ganhou a infame alcunha de: Ash Slashy (ou Ash Retalhador), tido como louco pelos locais. Chegando a Elk Grove ele se reencontra com seu pai, Brock, interpretado por Lee Majors, o eterno Homem de Seis Milhões de Dólares. Só que dessa vez, em um chiste genial, por conta de sua mão mecânica, é Ash quem está HARDER, FASTER, STRONGER!

Bem, nosso herói de camisa azul e calça cáqui tretará contra os deadites ao tentar encontrar Ruby, só para descobrir que terá de ajudar a moça em prol da salvação global de mais um apocalipse eminente. Paralelo, Pablo passa a ter pesadelos e alucinações recorrentes, uma vez que no final da temporada passada, foi possuído pela entidade presente no Livro dos Mortos, que ficara grudado em sua face, dando aquele toque de horror sobrenatural à série, somado ao visual das novas criaturas da trevas.

Supermax

Supermax

Mas todo o resto do tom do S02E01 foi da galhofa e do splattstick, lembrando, e muito, Uma Noite Alucinante. Veremos além das piadas de mau gosto, o machismo gritante e a falta de noção do protagonista , diversas cenas à lá Os Três Patetas, marca registrada do horror cômico de Sam Raimi (uma vez que ele, Tapert e Cambpell são fãs confessos do pastelão), como Ash batendo a cabeça em canos repetidas vezes e por aí vai. Vale até uma chuva de sangue em Kelly e um rápido close no porta-malas do Delta com o livro Adeus às Armas repousado, ao melhor estilo “entendedores entenderão”.

Aliás, o episódio dirigido por Rick Jacobson consegue emular perfeitamente todo o clima da sequência/reboot, Uma Noite Alucinante, inclusive em questões técnicas de direção. Juro que até aparecer os créditos finais, eu tinha quase certeza que Raimi tinha-o dirigido, uma vez que o estilo do cineasta é copiado a risca, aumentando ainda mais o grau de familiaridade para os fãs.

E falando neles, Ash vs Evil Dead continua fazendo o fanservice bem feito. Referindo-se aos filmes originais, explorando a costumeira simbiose cada vez maior entre a persona de Ash com Bruce Campbell, naquela paródia perfeita do tiozão americano médio escroto (que provavelmente votaria em Donald Trump, o tipo de piada que com certeza podemos esperar no decorrer dos episódios), e obviamente, aquele jorro de sangue e nojeira que sempre caracterizou a selvageria gore de A Morte do Demônio e suas sequências.

Como em time que está ganhando não se mexe, Ash vs Evil Dead não traz nenhuma novidade e continua apostando em todos os elementos que fizeram a primeira temporada tão groovy. Espero que não caia numa repetição ad infinitum de temas, situações e piadas,  copiando a si próprio a todo momento, e poupe o espectador daquelas barrigas e arcos desinteressantes colocadas só para encher linguiça que fizeram a série dar uma derrapada em sua metade.

Quem não queria uma pai com seis milhões de dólares?

Quem não queria uma pai com seis milhões de dólares?


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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