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Review 2016 #55 – Anjos da Noite: Guerras de Sangue

Vampiros e Lycans se matam aos montes para nos fornecer entretenimento descompromissado


Dentre as várias possibilidades de divertimento oferecidas pelo cinema, sempre vi nas franquias um apelo bem peculiar, relativo à possibilidade de revisitar, ao longo dos anos, um universo particular. Algo bem parecido com o que acontece nas séries de televisão, por exemplo. É fato que a maioria das franquias se prolonga por motivos financeiros, sem que haja uma história nova ou interessante para se contar. Salvo casos como Missão Impossível, projeto de paixão de Tom Cruise, que se reinventa a cada filme, a maioria acaba por perder sua essência, tornando-se confusas e avacalhadas. Ou será que alguém realmente imaginava que um dia Jason Voorhees seria alçado para o espaço sideral?

Anjos da Noite é uma franquia que conseguiu, ao longo de cinco filmes, manter-se girando em torno de um núcleo comum, perdendo em qualidade, mas segurando as pontas no quesito enredo. A guerra entre Vampiros e Lobisomens ganha novos contornos a cada filme, mas nunca sai de cena, assim como Selene continua com os mesmos princípios e objetivos, evoluindo como personagem.  

Ao longo dos anos, a trama saltou da idade média para um futuro próximo e misturou exércitos de monstros, vampiros anciões, lobisomens gigantes e híbridos das duas espécies em uma guerra sanguinária no melhor estilo fantasia-ação. É possível pensar a série como resultado da influência direta do mundo mágico de Senhor dos Anéis e da ação estilosa de Matrix.

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Em Guerras de Sangue, Kate Becksinsale retorna como Selenepela quarta vez, ainda como uma vampira proscrita e odiada pelos seus. Mais que detestada, ela está sendo caçada pelos chupadores de sangue e pelos lupinos igualmente, ambos interessados no paradeiro de sua filha Eve, a única híbrida puro-sangue de que se tem notícia.

O sangue da jovem possui propriedades fundamentais para a evolução de ambas as espécies, daí seu alto valor. Em meio a essa caçada, a situação dos vampiros pelo mundo vai de mal a pior, com a organização dos lycans sob um novo líder, Marius (Tobias Menzies) e a própria ação humana, como revelado na quarta parte. Isso não impede os vampiros de se reunirem para desfilar roupas e acessórios de dar inveja em qualquer gótico suave por aí.

Retornando para o início da franquia, efeitos práticos eram palavras-chaves. As transformações dos lycans tinham boa dose de computação gráfica, mas no geral eram os efeitos de maquiagem que mais agradavam, tanto nos lycans, quanto nos vampiros, e no gore. A forma monstruosa do vampiro ancião Marcus ainda é uma das formas mais sensacionais que os morcegões já assumiram em toda sua história.

Infelizmente, tais efeitos se tornaram parte do passado, já que até o sangue oriundo de ferimentos de bala receberam o tratamento digital. O nível dos efeitos é alto, o que já serve de consolo e não destrói o filme por completo – exceto pela transformação de Marius, claramente artificial. Uma das melhores cenas, que incluem um vampiro, uma espada de prata e um lycan sendo partido ao meio verticalmente, são produtos de CGI de qualidade.  Algo parecido com o Super Lycan que Selene havia enfrentado no último filme.

Na época em que assisti Anjos da Noite 4: O Despertar, o final abrupto e precoce me pegou de surpresa, arruinando o que até então parecia ser uma experiência divertida, graças ao Super Lycan. Desta vez, a diretora estreante na série, Anna Foerster, até faz um trabalho melhor que seu antecessor, o que não é lá muito mérito. Com apenas três minutos a mais, Guerra de Sangue aparenta ser um filme mais coeso, com mais elementos sendo trabalhados dentro da mesma duração, mas que ainda peca pela rapidez com que se desenvolve.

As conspirações e traições, por exemplo, oferecem possibilidades interessantes, mas que nunca são devidamente exploradas. A própria Selene parece ter pouco tempo de tela, de forma que seus conflitos internos são expostos apenas através de diálogos e narrações. Vale apontar que nem a maquiagem pesada e o botox pouparam Kate Beckinsale da idade – o tempo se faz presente tanto na aparência quanto na disposição fraca, que demandou uso de dublês para cenas de ação banais.

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Dentre os personagens, os destaques permanecem entre os vampiros. O vilão Marius não impressiona e os lycans continuam com um déficit de bons personagens que possam ao menos honrar o nome de Lucian, o lendário lobisomem apresentado em Anjos da Noite 3: A Ascensão dos Lycans. Beckinsale parece cansada no papel de Selene, mas consegue se salvar no último ato, quando passa por uma transformação/evolução. Menção honrosa para Bradley James, que interpreta Damien na série homônima, e que entrega uma performance um pouco superior ao que mostrou no papel de filho do capeta. Seu personagem vampiro, Varda, parecia dos mais dispensáveis, mas provou-se em batalha, recebendo assim a honra de ser mencionado nesta crítica.  

A direção é fraca e o enredo pouco desenvolvido. Quase nada de novo é acrescido a mitologia já existente e não há qualquer inovação ou valor artístico que vá além de belos cenários e vestuário. O 3D é total e completamente despropositado do princípio ao fim. Porém, se você leitor bisbilhotar aqui em baixo a nota para o filme, encontrará uma avaliação positiva. O que há de bom em Anjos da Noite?

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Vampiros; Lobisomens; Troca de tiro; Luta de Espada; Castelos; Lobisomem com Whey Protein; Vampiro The Flash; Munição Ultravioleta; Gore; Vampiros Nórdicos Mágicos; Exército de Vampiro; Exército de Lobisomem; Trairagem; Revelações Bombásticas; Teste de DNA; MMA de Vampiro; Metralhadora; Luta Sobre o Gelo; Vampiro Alpinista; Covardia; Bebeção de Sangue; Lâmina com Veneno; Góticos; Máquina de Exsanguinação…

Devo continuar? Anjos da Noite: Guerras de Sangue oferece uma combinação de elementos tão sensacionais que, por pior que seja, tecnicamente falando, nunca será verdadeiramente ruim. O entretenimento é descompromissado, não demanda nada do espectador e entrega uma coisas tão absurdamente legais, que o resto se torna irrelevante.

Se esse combo te agrada, não deixe de conferir. E o melhor? O final é aberto para uma continuação…

3.5 gotas de sangue híbrido para Anjos da Noite: Guerras de Sangue

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Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Fã de horror em suas diferentes formas, principalmente cinematográfica. Incapaz de adentrar igrejas, pelo risco de combustão espontânea, dedica sua vida pagã a ensinar inglês, escrever sobre o gênero e, mais recentemente, fazer seus próprios filmes.

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