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Review 2016: #56 – The Greasy Strangler

Ridiculamente bizarro e diferente de qualquer coisa por aí, é uma experiência para poucos


No exercício da crítica cinematográfica, buscamos encontrar os melhores adjetivos e formas de descrever os filmes assistidos, sempre a partir de uma experiência pessoal, porém de forma objetiva. Por vezes nos deparamos com produções que desafiam essa lógica. The Greasy Strangler é definitivamente um desses. Tentar traçar qualquer pensamento coerente sobre essa aberração é quase impossível, mas tentarei explanar alguns comentários sobre.

Pai e filho, Big Ronnie e Big Brayden, respectivamente, vivem juntos em uma relação familiar doentia. O pai é um velho tarado e sem noção, extremamente controlador. Ele manipula emocionalmente seu filho, um homem adulto com algum tipo de retardo, para que este não o abandone. Vestidos de camisa e short rosa, os dois homens de aparência horrível trabalham como guias turísticos especializados na subcultura da disco music. Eles passeiam pela cidade levando pessoas igualmente feias para lugares desinteressantes e sem qualquer legitimidade – Ex: “Foi aqui nesta casa amarela que os Bee Gees compuseram a letra de I Started a Joke, em 1968”.

You’re a bullshit artist!

Paralelo a isso, as noites da cidade são aterrorizadas por uma monstruosidade conhecida como o “Estrangulador Gorduroso”, uma figura estranha e nua, coberta em um tipo de gordura (óbvio), que estrangula (óbvio²) pessoas e arranca seus olhos para comer. Nesse ponto da vida já vi minha cota de estranhezas no mundo real e cinematográfico, mas essa criatura realmente levou um prêmio. O monstro é tão grotesco, que me arrancou um sentimento imediato de repulsa e incômodo que nunca antes havia sentido. O horror rapidamente dá lugar à um riso nervoso, quanto mais a criatura é exposta em toda sua ridiculisse. Com a bunda de fora e um pênis pontudo e falso balangando entre as pernas, não é possível levá-lo a sério.

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A trama do filme gira em torno de um relacionamento desse filho problemático com uma mulher igualmente estranha, que gera ciúmes no pai – que, bingo , é o estrangulador gorduroso. A promessa de choque não têm muito haver com gore, que é bem pouco, apesar de perturbador. O que realmente incomoda é a nojeira envolvendo litros de banha sendo aplicados em alimentos e pessoas. Ou melhor, isso é UMA das coisas que incomoda.

Esperamos do cinema um certo padrão estético de pessoas bonitas, charmosas, carismáticas ou minimamente agradáveis ao olhar. Aqui, há uma completa subversão dessa expectativa. Todos os personagens são muito, mas MUITO feios, completamente fora de quaisquer regras de beleza. A bizarrice é abraçada e louvada e eles mesmos se admiram, mas não existe sequer uma figura minimamente charmosa dentro do convencional. Há quem possa comparar esse estilo com o do Papa do Trash, John Waters.

Além da quebra total com esse paradigma estético, o diretor Jim Hosking, que fez o fraquíssimo segmento da letra G, em ABC’s da Morte 2, também abusa da repetição. Ao longo do filme, existem várias cenas em que ocorre uma quebra no desenvolvimento e o filme literalmente trava em discussões e situações banais e sem propósito que servem apenas como provocação, para irritar o público. O final abdica de qualquer tipo de sentido lógico, até mesmo dentro de sua própria falta de noção. Resta aí uma grande dúvida: Um filme que se propõe a ser boçal, idiota e irritante e atinge esse objetivo com louvor, deve ser considerado um bom filme ou simplesmente um filme boçal, idiota e irritante?

A provocação e desvirtuação estética e narrativa que Hosking propõe é válida e sempre muito relevante, no entanto a experiência cinematográfica em si não vale a pena para quem não está interessado nisso.

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2.5 litros de banha de porco para The Greasy Strangler

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Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Fã de horror em suas diferentes formas, principalmente cinematográfica. Incapaz de adentrar igrejas, pelo risco de combustão espontânea, dedica sua vida pagã a ensinar inglês, escrever sobre o gênero e, mais recentemente, fazer seus próprios filmes.

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