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Review 2016: #59 – SiREN

Ocultismo, monstruosidades e diversão são as palavras chave


SiREN é a versão em longa-metragem do segmento Amateur Night, parte da antologia V/H/S, lançada em 2012. Ao passo que V/H/S se transformava em franquia, hoje com três filmes, os fãs iam especulando e torcendo por versões longas de alguns segmentos mais interessantes, o que, finalmente, se tornou uma realidade.

Em Amateur Night, três amigos saem para festejar , enquanto filmam tudo graças a uma microcâmera instalada nos óculos de graus de um deles. A ideia era fazer uma sex tape com alguma garota avulsa. É nesse rolê “bem intencionado” que conhecem uma garota aparentemente safadinha (e estranha) e conseguem levá-la para um quarto de motel. Malandramente, a menina inocente se envolve com eles só pra na hora de levar madeirada, poder comê-los, no sentido antropofágico da coisa, para em seguida meter o pé pra casa.

Muito pouco do original chega até esse novo filme, que faz uma série de mudanças necessárias para essa transposição de formato (curta-metragem para longa). O aspecto found footage é o primeiro a ser abandonado, cedendo lugar a uma estética convencional. Um alento para aqueles que já estão de saco cheio das câmeras tremidas.

Considerando as limitações intrínsecas da filmagem em primeira pessoa, tal decisão mostrou-se muito sábia e abriu uma série de novas possibilidades. Podemos até considerar esta uma decisão corajosa, já que a câmera na mão é garantia de um custo mais baixo e retorno fácil. Não que SiREN tenha um orçamento alto, pelo contrário até. Sem nenhum rosto conhecido (além da atriz que faz o monstro), e sem muitas estripulias visuais, o filme é bem simples e não esconde o baixo orçamento.

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Produzindo um bebê de Rosemary

A trama também passou longe de Amateur Night com a inclusão de uma história, coisa que o segmento original não tinha e nem sequer necessitava. O monstro que dá título ao filme, “Siren”, remete à mitologia grega, assemelhando-se um pouco a figura das sereias, porém misturando elementos de pássaros ao invés de peixes. Com uma voz hipnótica, seria capaz de seduzir qualquer pessoa, colocando-os em um estado de suspensão. A liberdade criativa dos autores acrescentaram alguns elementos por conta própria, como uma cauda estranha, muito semelhante à criatura do filme Splice – A Nova Espécie, além de uma relação com o ocultismo – ela é invocada por um bando de satanistas sacrificadores de bode.

A besta invocada é então escravizada e “sequestrada” por um figurão metido nas artes das trevas, que coordenada uma espécie de cabaré do inferno, um lar para todo tipo de perversão. Lá, ela é batizada de Lilith (ou Lily) e forçada a se prostituir, usando sua voz e a imagem de seu corpo para dar prazer aos homens, sem nunca tocá-los. Basicamente, o sujeito cafetinou um demônio. OUSADO!

É só após a introdução à criatura que o plot dos amigos dá as caras. Aqui, um grupo de quatro que inclui dois irmãos e dois amigos saem para comemorar a despedida de solteiro de um deles, no melhor estilo Se Beber, Não Case. Durante a comemoração regada à bebida e cogumelos alucinógenos, eles vão parar no tal antro diabólico e um deles acaba por libertar a Lilith, que se mostra obcecada por seu salvador.

Let it go, let it go, can’t hold you back anymore

Let it go, let it go, can’t hold you back anymore, let it go, let it go, turn my back and slam the door!

Curioso notarmos que o satanismo e a presença do mal como ameaça está em alta no cinema de terror. Basta olharmos para alguns dos grandes títulos deste ano e fica claro o poder das trevas – A Bruxa, The Blackcoat’s Daughter, O Lamento e Baskin estão no meu top 5 e todos lidam com esse tema, mesmo que de formas extremamente distintas, e claro, temos aí o Invocação do Mal 2 também só para constar

Todas essas modificações já apontam para um caminho diferente, mas ainda há uma outra diferença considerável e importantíssima: SiREN abraça outro tom completamente, marcado por uma comicidade notável. Existem momentos em que o filme claramente tem como objetivo fazer rir e o faz sem a menor vergonha. Quando não consegue ser genuinamente engraçado, o faz pelo ridiculismo. Mas não se engane: este não é um terrir nem nada, porém esses momentos são recorrentes e tornam a experiência bem divertida.

A abordagem mais descompromissada sobre tema, o monstro em si e o vilão caricatural dão ao longa um aspecto oitentista super natural. Diferente de obras que tem como objetivo homenagear e fazer referência à um período específico, o que chamamos de throwbackStranger Things, The Mind’s Eye e Beyond the Gates são alguns exemplos, – SiREN tem um grau de semelhança com os anos 80 que é natural. É quase como se tivesse sido feito trinta anos atrás e redescoberto apenas agora. O final, brilhante diga-se de passagem, reforça ainda mais essa vibe.

Não leve SiREN a sério, já que o próprio filme não o faz, e então irá se deparar com uma produção honestamente divertida e simples, quase juvenil, com um dos universos mais criativos e curiosos do cinema de gênero em 2016.

3.5 sanguessugas para Siren

Onde você vai estar quando a onda do cogumelo bater?

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Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Fã de horror em suas diferentes formas, principalmente cinematográfica. Incapaz de adentrar igrejas, pelo risco de combustão espontânea, dedica sua vida pagã a ensinar inglês, escrever sobre o gênero e, mais recentemente, fazer seus próprios filmes.

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