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Review 2017: #09 – The Axe Murders of Villisca

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A sutileza no título desse filme me conquistou de imediato. “Os Assassinatos a Machadadas de Villisca” (em tradução livre) me fez pensar em um slasher estilo banho de sangue, cheio de pedaços de gente espalhados pelos cantos. Ao invés disso, provou-se uma mistureba de terror psicológico com elementos de possessão e assombrações, inspirada em fatos reais, que compartilharei com vocês, leitores.

Fato.

Aqui temos um longa que busca inspiração em um caso real, nunca solucionado, para criar suas próprias teorias de conspiração que justificassem o crime. Na virada do dia 09 para o dia 10 de junho de 1912, alguém (ou algo), assassinou brutalmente os seis membros da família Moore e outros dois hóspedes, na pequena cidade de Villisca, Iowa.

A arma do crime foi um machado, porém, para a decepção geral da nação dos que esperavam um filme gore, o assassino utilizou a parte de trás (nuca do machado é um nome válido?), oposta a lâmina, para esmagar a cabeça das vítimas. Tal tragédia ganhou notoriedade através dos anos por ainda permanecer sem solução. Imagino que um crime do tipo dificilmente seria tão misterioso na era CSI em que vivemos.

O passar dos anos não diminuiu em nada o interesse em solucionar o caso. Já há mais de vinte anos, o local da chacina se tornou um ponto turístico para entusiastas do macabro e do mórbido. Desde visitas diárias, até a possibilidade de passar a noite na casa pela bagatela de 500 dólares. A maioria dos visitantes relatam sensações estranhas e aparições sombrias no local, algo na linha daquela mulher sensitiva visitando o Carandiru no programa do Gugu, ou algo assim (referência mais antiga que o próprio crime).

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Antes de Amityville havia Villisca

Visitar um local assombrado sempre esteve na moda, mas poucos podem dizer que foram vítimas dos mesmos fantasmas que foram observar. Esse é o caso do caçador de fantasmas Robert Laursen que, dentro da casa, em plena madrugada, esfaqueou a si mesmo. Tal situação tenebrosa se passou em 2014 e o sujeito não morreu. Foi após esse crime que alguém deve ter pensado: “Cara, essa história dá um filme!”, para em seguida chamar os amigos, fazer uma compilação de clichês do gênero e fazer The Axe Murders of Villisca.

Ficção

Independente do tom de zoeira e palavras cruéis nessa crítica, vale ressaltar que o filme é uma produção indie, de baixíssimo orçamento e que problemas são esperados. Os atores são fracos, há uma grande limitação em termos de cenários, objetos cênicos, efeitos especiais e etc. Não obstante, a gigantesca falha da produção reside mais no roteiro porcalhão do que nestes elementos.

Nos primeiros minutos, um prólogo entrega de cara o assassino, interpretado por Sean Whalen e sua cara de louco. O mistério já é imediatamente descartado e há pouco derramamento de sangue. Uma elipse temporal nos leva 100 anos para o futuro, em uma outra cidadezinha, onde conhecemos o trio de protagonistas, composto por um rapaz órfão e gay, o filho de um bandido pé de chinelo e uma mocinha que foi parar no Xvideos por conta do peguete babaca. Essas são as características desse grupo diverso e que definem seus destinos.

Os dois rapazes são amigos de infância e caçadores de fantasma amadores (tão bem sucedidos quanto os profissionais, imagino), que pretendem visitar a casa das machadadas em Villisca. Por um motivo pífio e incompreensível, em um dado momento a garota se junta aos dois para ir na aventura, já demonstrando o quão fraco e conveniente é o roteiro.  No meio do caminho entre esse encontro do destino, uma série de personagens e situações estereotipadas dão as caras, tornando a experiência um tanto quanto irritante em alguns momentos, como por exemplo a apresentação dos bullies da escola.

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Fantasmas de Villisca, quem são, o que comem, o que lhes aconteceu, para onde vão? Hoje, no Globo Repórter

O desenvolvimento lento tenta trabalhar os personagens principais para além do esperado, no entanto é incapaz de estabelecer qualquer tipo de profundidade, de forma que eles não chegam a lugar algum em seus arcos pessoais e seus dilemas são bem banais. Mas oras, que diabos estou falando? Desenvolvimento de personagem tem alguma relevância em um filme chamado The Axe Murders of Villisca?

Ao contrário do que parece, este não é um slasher, então não espere um assassino mascarado armado com um machado perseguindo os infantes. Dentro da casa amaldiçoada, existe algum tipo de maldição, a qual é impossível atribuir uma origem ou causa, se ela é perpetrada pelas últimas vítimas, no estilo Ju-on, ou se por outra força. Tudo que se sabe é que os fantasmas de ao menos duas vítimas estão envolvidas e que há algo como uma punição destinada aos que possuem qualquer tipo de ressentimento ou esqueletos no armário, ou qualquer besteira do tipo, que não faz lá muito sentido.

Quando os três jovens resolvem passar a noite na casa assombrada, eles mesmos se tornam vítimas dessa falcatrua fantasmagórica. Considerando essa ideia de punição e que a casa em si é uma atração turística, é de se estranhar o porquê desse casarão nunca ter feito outras vítimas. Esse é apenas um dos questionamentos suscitados pelos inúmeros furos nesse queijo suíço de papel que chamam de roteiro. No momento em que pensaram “Cara, essa história dá um filme!”, sem dúvida não pensaram na complexidade de se criar um universo coerente. O resultado é uma série de regras vagas em um filme confuso, que se prende em elementos da realidade sem ter subsídio para tal.

E o gore que é bom, nada…

1 Machadada na Cabeça para The Axe Murders of Villisca

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Usar o machado com a parte plana ao invés da lâmina é um desperdício de gore.


Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Fã de horror em suas diferentes formas, principalmente cinematográfica. Incapaz de adentrar igrejas, pelo risco de combustão espontânea, dedica sua vida pagã a ensinar inglês, escrever sobre o gênero e, mais recentemente, fazer seus próprios filmes.

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