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Stan Against Evil: A pior série do ano passado que você talvez não tenha visto

O que pode ser pior que uma comédia de horror sem graça, repetitiva e wanna be Ash vs Evil Dead?


Na semana passada eu escrevi aqui sobre Channel Zero: Candle Cove indagando que ela foi a melhor série do gênero do ano passado, que talvez muitas pessoas possam não ter visto pelo fato de ser uma produção obscura do SyFy Channel, sem hype e zero de divulgação por essas bandas, tendo passado batida por mim. Fiquei arrependido de não tê-la visto antes.

Pois bem, Stan Against Evil, produção original da IFC, também é um caso bem parecido, quase nada conhecida e comentada por aqui, igualmente assistida de forma tardia, mas que é completamente o oposto, sendo uma das maiores porcarias televisivas que vi ultimamente. Fiquei arrependido de assisti-la.

Afinal, o que pode ser pior do que uma comédia de horror sem graça, repetitiva, wanna be Ash vs Evil Dead (até o título é meio descarado, cês não acharam não?) e cheia efeitos de sangue, explosões de gosma e cabeça cortada em CGI, daqueles que parecem feitos em algum editor de vídeo de celular?

Criada por Dana Gould (roteirista de Os Simpsons), Stan Agaisnt Evil chega até a causar vergonha alheia pela sua tentativa descarada de ser um splatstick chupinado de Sam Raimi, ainda mais com a recente série da Starz em exibição, o que torna tudo ainda mais vexatório, com um argumento batido, amontoado de clichês, personagens caricatos que não causam a menor empatia, e o principal de tudo, um besteirol que não te faz dar risada, cheio de piadas infames que vão se tornando cansativas a cada episódio formulaico.

Bom, Stan Miller, vivido por John C. McGinley (o Dr. Perry Cox, médico-chefe de Scrubs) em um tremendo desperdício de talento, é o xerife aposentado da pequena cidadezinha de Willard Mill, em New Hampshire, Nova Inglaterra, que no Século XVII, foi palco de uma intensa caça às bruxas, onde o então xerife, Thaddeus Eccles, condenou nada menos que 172 mulheres inocentes à fogueira, acusadas de bruxaria. Desde então, uma maldição paira sobre o local e todos que assumiram o cargo foram mortos, menos Stan.

Ó tá escrito aqui: copie a fórmula de Ash vs Evil Dead...

Ó tá escrito aqui: copie a fórmula de Ash vs Evil Dead…

Isso porque sua esposa, durante todo esse tempo, estudou as artes arcanas e protegeu o marido, até que ela morre de um ataque cardíaco e o sujeito ranzinza se vê sozinho com sua filha hipster-esquisita, Denise (Deborah Baker), enquanto Evie Barrett (Janet Varney, uma clone da Amy Adams) vem de Boston para ocupar o lugar de nova xerife do pedaço. Logo os dois descobrem que todas essas almas e os espíritos malignos que rondam o local querem acabar com a raça deles, e precisam combater essas hordas de demônios, bruxas, criaturas das trevas, feiticeiros, e por aí vai.

Vamos falar o português claro aqui: o piloto é nada mais que uma cópia de A Morte do Demônio, e a bruxa é absurdamente idêntica aos deadites que adoram aporrinhar Ash Williams há décadas, com uma semelhança escabrosa com Henrietta de Uma Noite Alucinante ou a cigana de Arraste-me Para o Inferno (incluindo vomitando nojeiras em cima dos heróis). Já que não é mera coincidência, então vamos colocar como “homenagem” a Sam Raimi, assim entre aspas.

Okay, você assiste ao primeiro episódio, que tem apenas vinte minutos de duração, e começa a emendar os outros (são oito ao total) e todos eles vão se tornando exatamente a mesma coisa, ao melhor estilo “monstro da semana”: o ex-xerife rabugento e sua sideckick policial são perseguidos por algo maligno, descobrem um jeito de destruí-lo por meio de um grimório deixado pela finada e um verdadeiro arsenal medieval, e o dia está salvo. Com algumas piadas bestas no meio e uma ou outra referência a cultura pop ou esportes coletivos americanos.  

Um, dois, três episódios dá para assistir até com boa vontade (o S01E02 é o melhor de todos, principalmente com suas referências a Tubarão), mas quando chega no quarto em diante, você já está deveras entediado daquele loop repetido a exaustão e tomado por um azedume que nem um ou outro chiste engraçado (como Evie dançando ao redor da fogueira com a máscara de cavalo) consegue lhe recuperar o bom humor. A coisa mais excitante que acontece enquanto maratonava foi uma barata que apareceu no meu quarto e precisei matá-la.

O piloto teve uma audiência considerável e foi um dos maiores sucessos do canal IFC lançados recentemente e, por incrível que possa parecer, mesmo com essa cara de websérie e um verdadeiro remendão de histórias nada originais, ela se manteve com um bom público durante toda sua primeira temporada – claro, tem alguns pontos em que os fãs do trash e do humor pastelão de horror podem ser fisgados – e foi renovada para uma segunda, para seguir com o fraquíssimo cliffhanger deixado em seu season finale.

O jeito é torcer para que alguma bruxaria faça a próxima temporada da Stan Against Evil melhor e mais atrativa, e o principal, engraçada, prfvr. Mas ainda assim, eu provavelmente não irei assisti-la (ou talvez o S02E01, porque sou um cara teimoso, além da famosa desculpa de “ossos do ofício”), ainda mais em um mundo televisivo extremamente competitivo e de alta qualidade, repleto de séries e mais séries para se acompanhar. E bem, pelo simples fato de já existir um e inigualável Ash vs Evil Dead, o que basta.

Ufa, pensei que era Testemunha de Jeová mas é só o Baphomet!

Ufa, pensei que era Testemunha de Jeová mas é só o Baphomet!


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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