Pinn2

TBT #01 – Pin – Uma Jornada Além da Loucura

Nunca encontrei um filme com um subtítulo nacional tão bem apropriado para esta pequena pérola desconhecida


A esquizofrenia é um transtorno psicológico que pode acometer qualquer pessoa em qualquer idade, situação social ou cultural. O processo para desenvolvimento pode ser rápido ou gradualmente lento, onde nem a família do paciente toma conhecimento da doença.

Infelizmente esta doença é mais comum do que pensamos e o paciente que se enquadra na esquizofrenia paranoide ou paranoica é aquele que se caracteriza a partir de uma presença de delírios ou alucinações auditivas no contexto que visa preservar o funcionamento cognitivo e afetivo. Em outras palavras, desenvolve-se a partir do afeto que alguém tem por um indivíduo imaginário ou algum objeto que julga ser real ou possuir vida.

Nas mais diversas pesquisas em blogs e sites especializados acabamos encontrando algumas pérolas cult que fogem literalmente do circuito mundialmente conhecido. Muitos projetados nas famosas midnight sessions – sessões de filmes alternativos em que alguns cinemas passavam à meia-noite – hoje são esquecidos, ou até menosprezados. Filmes como Pink Flamingos, A Noite dos Mortos-Vivos, A Morte do Demônio e até o recente Atividade Paranormal ganhou notoriedade nestas sessões para o pessoal mais ávido por produções fora do padrão, e alguns não alcançaram o devido respeito e reconhecimento apenas por serem incompreendidos ou subestimados. Destaco, nesta imensidão de injustiçados, o ótimo Pin – Uma Jornada Além da Loucura.

Nesta jornada à loucura – literalmente – nos encontramos com os irmãos Leon (David Hewlett) e Ursula (Cindy Preston) que, após a perda de seus pais em um trágico acidente de carro, vivem isolados na bela casa de veraneio e, pouco a pouco, a vida do jovem começa a ser tomada por Pin, um boneco didático que pouco a pouco passa a controlar sua vida, bem como de sua irmã. Ainda no longa contamos com a presença de Terry O’ Quinn (O Padrasto) e Bronwen Mentel (A Janela Secreta) nos papéis dos pais, numa participação mais que especial e significativa para o longa.

Pois não senhor boneco?

Pois não senhor boneco?

Desde o começo vemos o sonho de toda família, o famoso american dream of life, onde o pai aprecia uma bela orquestra acompanhando suas notas e sua esposa, típica dona de casa, que faz questão de manter tudo limpo. O convite ao insano e à loucura inicia-se aí, quando somos apresentados ao obcecado pai perfeccionista entusiasta pelo conhecimento de seus filhos e sua cônjuge com TOC. A desconstrução do perfeito é gradativa e angustiante, haja em vista que a cada frame que o filme avança, a insanidade passada do patriarca a seu herdeiro, somadas a N fatores agregados, só demonstra a instabilidade emocional de ambos.

Com uma trilha sonora desconcertante e incômoda, o diretor Sandor Stern (Amityville 4 – A Fuga do Mal) consegue te imergir à insana mente de Leon e perceber, ao mesmo tempo, sua fragilidade e desespero por sofrer com este distúrbio incurável, sob a incrível atuação de David Hewlett, que futuramente ficaria mais conhecido por seu papel em Cubo. Todos os atores estão corretos em seus respectivos papéis, porém Hewllet, em seu primeiro grande trabalho, mostra a que veio e demonstra total controle de uma pessoa nitidamente transtornada por sua deterioração física e mental.

A crítica à “família Doriana” também é bem explorada pelo diretor, expondo que alguns problemas são inerentes à qualquer pessoa, independente de seu credo ou situação financeira. A ausência de sentimentos, exceto entre os irmãos, é bem acentuada e a empatia que você inevitavelmente sente é um misto de compaixão e repúdia. A dúvida entre o aceitável ou não ficará te perturbando o longa inteiro, pode ter certeza, até que acabe.

Pin – Uma Jornada Além da Loucura é um daqueles filmes que lamento reconhecer ser desconhecido, mas que torço que ele alcance o status que merece: um pequeno grande clássico.

#Engomadinho #Ódio

#Engomadinho #Ódio


Guilherme Lopes
Guilherme Lopes
Mineiro de nascimento e paulista de criação, vê nos filmes de terror e afins a diversão e bode expiatório para não cometer atrocidades na vida real. Não se engane com sua carinha de anjinho: ele não rebobinava as fitas antes de devolver à locadora.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *