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TBT #05 – Bunnyman

Coelhinho da Páscoa o que trazes para mim?


Não ajuste o seu monitor, você está vendo certo. Não, eu não morri. Sim, sou eu que estou escrevendo. Não, o mundo não está acabando… eu acho. Bom, devaneios sobre minha possível existência ou sobre o que é fantasia ou realidade à parte, eis que volto com uma colaboração especial de Páscoa. Ah, essa época linda, marcada pela ressurreição do JC, por chocolates e por coelhos. E por falar em coelhos…

Bom, fazia algum tempo que eu não escrevia nada aqui para o 101HM e decidi me comprometer com esse quadro para essa semana santa. Você pode não acreditar em Jesus e toda a simbologia pascal mas acredita em filmes que são ruins e toscos, mas que acabam se tornando divertidos por acertadamente não se levar a sério, certo? Vide a franquia Sharknado, por exemplo. Em nenhum momento a quadrilogia (que está próxima se tornar uma pentalogia) se leva a sério e isso é o que a faz divertida pra mim. Agora, pegue um filme que é tosco, podre e que se leve a sério demais. A experiência de assisti-lo é um desgosto maldito. E é isso que ocorre em Bunnyman (ou The Bunnyman Massacre como é conhecido no Reino Unido), uma afronta ao espectador por causa de tamanha ruindade.

Eu não estou mentindo, em apenas dois minutos de projeção eu queria enfiar uma batedeira nos meus olhos. Durante todos os 85 minutos desta porcaria, era IMPOSSÍVEL não sentir momentos de vergonha alheia ou de não fazer aquela expressão de “Mas que porra é essa?!”. Bunnyman falha em todo e qualquer aspecto de sua produção, a direção é péssima, tremida e cheia de tomadas esquisitas dos personagens. A atuação é dolorosa de tão ruim. Tudo bem que são atores nada conhecidos, mas, porra, custava fazer um esforcinho nem que fosse? Se esses caras ganharam um salgado e um suco pelo trabalho deles nesse filme, eu diria que foi demais. Como se não bastasse, o filme tem um seríssimo problema na sonoplastia, incluindo no seu trabalho de ADR, que é a técnica em que os atores entram em estúdio após as filmagens, regravam e ressincronizam suas falas. A parada é tão pífia que os caras conseguiram dublar a si mesmos tão, mas tão mal, que parece que a voz não combina com a pessoa que você vê em tela. Isso que eram as vozes dos PRÓPRIOS ATORES!!!

O filme tem um problema grave ritmo, atmosfera e construção de tensão, além de não haver um desenvolvimento de personagens nenhum, eles simplesmente são jogados na tela e nunca se entende o porquê de estarem ali. Muitas dessas coisas são culpas de um roteiro porcamente escrito, cheio de situações vergonha alheia e de diálogos totalmente sem sentido. Por exemplo, quando encontram um homem que vive em uma cabana em meio a floresta (que simplesmente surge ali) e pedem pra usar o telefone. Primeiro tentam barganhar o uso do aparelho por 30 dólares, o que é recusado. Eis então que o sujeito diz que por 100 ele deixaria que usassem o seu telefone e, quando oferecido os 100 dólares, ele pergunta se estão tirando ele para bobo, que ele vive no meio da floresta e pergunta “onde diabos eu iria gastar esse dinheiro?”. QUAL O SENTIDO, ME EXPLIQUE.

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Sexta da paixão

Porém, todo filme tosco, podre, pode ao menos ganhar um mínimo de crédito pelo uso de gore… certo? Não é o caso.Todas, absolutamente TODAS as mortes são em offscreen. Única coisa que podemos ver é o sangue espirrando na parede ou no próprio coelho. Eles conseguem botar a vítima na câmera e mesmo assim realizar uma morte fora dela por usar uma técnica salafrária onde o ângulo da câmera não permite que o espectador consiga ver o local atingido pela arma. Um exemplo disso é quando o nosso querido Bunnyman tortura uma das personagens e, quando vai acertar a mesma com uma pistola de pregos, ele ergue o corpo da moçoila, acertando uma parte das suas costas, que obviamente não é captada pela câmera, e tudo que vemos é um esguicho do sangue mais vagabundo já usado na história do cinema. Parece até que o pessoal do filme sangra groselha.

Ah é, a história né. Um grupo de amigos (mais clichê impossível) está viajando na estrada – para onde e porque nunca é dito em nenhum momento – quando são perseguidos por um caminhão que é dirigido pelo assassino. Eles tentam tirar vantagem do cara que dá um susto neles e decide ir embora. Mal sabemque voltaria para uma vingança. Ao menos é essa a sinopse que rola pela Internet, porque a única coisa verdadeira é o lance de tirar vantagem, mas a matança mesmo não começa por causa de vingança, e porque, porque… Porque ele decide matar geral mesmo.

O final nos reserva uma clara inspiração/homenagem a O Massacre da Serra Elétrica, com direito a uma família de assassinos, o fato do Bunnyman usar uma motosserra na maioria de seus assassinatos e, em especial, a sequência de encerramento. O problema é que tudo é tão ridículo e mal executado que você prefere ter sido morto por um coelhão do que  ver essa porra!

Detalhe que o tal Bunnyman aparece só depois de 50 FODENDO MINUTOS DE FILME. Nesse momento, que você espera que o filme dê uma guinada e se torna algo, no mínimo, aceitável, é que ele piora e faz você querer praticar a eutanásia de tanta patifaria em um único filme (ou se você for mais tolerante como eu, assistir no fast forward mesmo).

Por incrível que pareça o filme ganhou uma sequência, Bunnyman 2 (The Bunnyman Resurrection no Reino Unido) e, pasmem, há conversas para que se torne uma TRILOGIA com Bunnyman Vengeance fechando com chave de ouro, que, felizmente, ainda não tem data de lançamento definida e, se tiverem o mínimo do bom senso, nem irão se atrever a realmente a lançá-lo.

Almoço de Páscoa

Almoço de Páscoa


Angelus Burkert
Angelus Burkert
Psicopata em formação. Pegou gosto pelo cinema de horror após ir até a sessão de VHS de terror na locadora e olhar todas as capas de filmes possíveis. Fã confesso de música e games, provável que não mude nada com o passar dos anos, exceto o amor pela carnificina.

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