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OST #13 – Alien

Falar sobre a evolução da trilha sonora da franquia Alien é muito difícil, já que é um dos fenômenos que nos deleita durante anos com sua criatividade e originalidade além- fronteira e com sua musicalidade versátil e moderna.

Alien, o Oitavo Passageiro de 1979 marcou pela genialidade do compositor Jerry Goldsmith que disse que em sua concepção, uma trilha espacial seria romântica e ao mesmo tempo retrataria as coisas estranhas que por lá acontecem. Foi assim que a princípio fez a trilha do filme. Expôs musicalmente Alien com toda sua grandeza e mistérios desconhecidos, tocando toda a abertura lírica e romanticamente, juntamente com o choque que a história exige. Mas o tema composto não caiu nas graças de Ridley Scott e depois de muitas discussões e brigas, a trilha foi mudada para uma coisa mais simples, porém esquisita. Todos adoraram, tornou-se icônica, mas Goldsmith de fato, não gosta da música de abertura!

No começo, o diretor Ridley Scott havia chamado o compositor Howard Blake (Flash Gordon) por causa da sua colaboração para a trilha de Os Duelistas, também dirigido por Scott. Mas os executivos da Twentieth Century Fox concordaram que, para a grandeza de um filme como Alien, o Oitavo Passageiro, seria necessário um compositor com maior experiência. Então sai Blake e entra Goldsmith. Desde as primeiras notas da obra nos damos conta da mistura do suspense e mistério que paira no desconhecido. Parte do sucesso deve-se a participação da genialidade de Goldsmith que conseguiu retratar o suspense e terror dos corredores vazios e da criatura a espreita de seu próximo hospedeiro.

O “Main Title – The Nostromo” (título principal) foi uma das composições mais famosas do cinema de todos os tempos que aparece interpretada e reinterpretada em várias compilações de músicas de filmes e inclusive sendo usada novamente em Alien – A Ressurreição na cena em que Ripley aparece como se fosse um bebê de proveta e mais uma vez.

Goldsmith extraiu da orquestra um som distinto e experimental, combinando características de formas rítmicas com um desenvolvimento misterioso para as cordas, evocando nos espectadores uma mescla de medo e curiosidade inimaginável. É importante destacar que a maioria dos efeitos sonoros são acústicos, feitos a partir de instrumentos de orquestra e não de sintetizadores como na maioria dos filmes. Mais uma razão para dizermos que é uma Master Piece, inconfundível e genial.

Aliens, o Resgate de 1986 nos brinda com outro grande compositor, James Horner juntamente com a nova visão do diretor James Cameron. Desta vez a trilha é marcada por trompetes e tambores que destacam o aspecto heróico da protagonista. Uma das peças favoritas do compositor é “Futile Scape” que começa com piano e percussão bombástica e representa o choque entre o exército humano e o alienígena. “Going After Newt” e “Ripley’s Rescue” são as duas trilhas de maior destaque na música de Horner onde toda a orquestra toca enfatizando o grande momento de ação. Apesar de ser uma obra sensacional, a música de Horner é muito mais tradicional do que a de Goldsmith. Um detalhe que faz Aliens se destacar é a fabulosa interpretação da The London Symphony Orchestra com participação de Greig McRitchie.

Alien 3, lançado em 1992, tem a trilha composta por Elliot Goldenthal que despertou elogios para uns e uma grande decepção para outros, tal qual o próprio filme de David Fincher que teve tantos problemas durante sua produção. A obra foi feita de uma maneira muito pessoal sem copiar ou ter inspiração em nenhuma das obras anteriores, descrita por ele como um experimento que durou um ano para ser acabado. Sua inspiração veio da atmosfera selvagem e tempestuosa de LA que foi influência para as trilhas lúgubres e viscerais. Com estilo próprio e mais moderno, a faixa “Agnus Dei” que é o tema principal, apresenta cordas e sopros combinados com um solo de voz de um garoto soprano, Nick Nackley. Com cordas e percussão da mais alta criatividade “Bait and Chase” é uma das composições mais espetaculares e que consagrou Goldenthal perante a crítica como compositor prodígio.

Um dos filmes da série que infelizmente não tem uma trilha sonora a se gabar é Alien – A Ressurreiçãocomo a própria obra. John Frizzell foi tão mais do mesmo, que fica bem difícil ou quase impossível destacar algo grandioso, diferente dos outros que eu poderia falar por páginas a fio. Efeitos eletrônicos e um coro feminino no “Main Title” tornam a música extremamente ruidosa e inútil ao remeter o suspense que deveria, mas segundo o compositor, atendeu ao pedido do diretor Jean-Pierre Jeunet. O tema mais apreciável da trilha é “Docking the Betty” com metais pesados que realmente salva a situação. Nada grandioso para Frizzell ser lembrado.

Voltando para explicar a origem do universo de Alien, Prometheus de 2012 marcou o retorno do diretor Ridley Scott. A trilha foi elaborada pelo compositor alemão Marc Streitenfeld que já havia trabalhado com Scott por quatro vezes. Esse foi o quinto projeto juntos, que, se não se igualou aos melhores, chegou muito perto! Ele conseguiu passar através da trilha a sensação do medo e do suspense de uma forma épica. Streitenfeld soube dar uma identidade própria a este trabalho, sem sair do contexto. As faixas têm títulos que qualquer pessoa saberia que se trata de um filme de alienígena. Como “A Planet” e “ Infected”. Finalmente o álbum acaba com “Birth” que como diz o título é o nascimento. O cara foi corajoso e mandou muito bem, apesar do filme segundo as críticas, ter ficado abaixo das expectativas.

Por fim, recém lançado nos cinemas, Alien: Covenant teve inicialmente sua trilha composta por Harry Gregson Williams que, em novembro de 2016, cancelou o projeto por motivos de agenda e problemas na criação. O lançamento do trailer no finalzinho de 2016 teve a colaboração da cantora e compositora norueguesa Aurora, com a música “Nature Boy”, originalmente gravada pelo cantor de jazz Nat King Cole e regravada por vários ícones da música como Sinatra, Tony Bennett e até uma versão techno por Bowie para o filme Moulin Rouge. Gregson Williams acabou sendo substituído por Jed Kurzel, de Assassin’s Creed e The Babadook, cantor, guitarrista e compositor de trilhas para filmes de TV, teatro e cinema. Temas originais de Jerry Goldsmith foram incorporados ao filme.

 


Val Vallone
Val Vallone
Paulista, professora de inglês, foi apresentada aos primeiros filmes de terror por sua mãe ainda criança, apaixonando-se por Christopher Lee, Peter Cushing e Bela Lugosi. Quando adolescente, conheceu o universo dos games e também os incluiu em suas prioridades de vida.

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