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HQRROR #31 – Hellraiser

O Inferno em quadrinhos


E Jesus chorou…

“Isso é o mais extraordinário: no momento em que você inventa uma história ou cria uma imagem que se torna querida por uma audiência, você a perdeu. A maldita sai andando por conta própria; se torna propriedade dos fãs. São eles que criam em cima de sua própria mitologia, que fazem sequências e prequelas em sua imaginação; que apontam as inconsistências na sua narrativa.“

– Clive Barker

A passagem acima é uma tradução livre de um trecho retirado da introdução escrita por Clive Barker para a primeira HQ de Hellraiser. Em poucas palavras, o autor descreve o fenômeno de transformação e o poder que o desejo do público mais aficcionado possui sobre o destino de suas obras. O autor parece ter se afeiçoado bastante a essa ideia, abraçando-a sem ressentimentos, assistindo de camarote a transformação de sua criação ao longo dos anos.

Essa história começa com a publicação do romance The Hellbound Heart, em 86, publicado no Brasil pela editora DarkSide, que deu origem ao longa-metragem Hellraiser – Renascido do Inferno, em 87. Com essas duas obras, Barker estabeleceu a base daquele que se tornaria um vasto universo cinemático, literário e quadrinistico: quando os prazeres e tormentos mundanos não são mais suficientes, a caixa das lamentações oferece a solução definitiva, na forma de uma experiência transcendental de dor e prazer propiciada pelos cenobitas – exploradores das regiões profundas da experiência: demônios para uns, anjos para outros.

A mitologia foi então expandida com o consentimento e participação indireta do autor, pela dupla Peter Atkins e Tony Randel, roteirista e diretor, respectivamente, de Hellraiser 2 – Renascido das Trevas, sequência direta do primeiro filme, que marcou o retorno tanto da protagonista Kirsty como dos cenobitas Pinhead, Female Cenobite, Chatterer and Butterball. Dessa vez, estabeleceu-se uma identidade visual para o inferno – cadeias infinitas de labirintos ao redor do deus negro Leviathan, uma forma geométrica colossal, que conjura uma luz preta, como um farol em um mar de trevas.

O passo seguinte foi dado no universo dos quadrinhos. Originalmente publicado pela Epic, o falecido selo adulto da Marvel Comics (algo nas linhas da Vertigo da DC), em 1989, o título chegou a ser lançado no Brasil Pela editora Abril três anos depois, porém limitado a quatro edições de um total de 20, se contarmos apenas as edições regulares. Mais adiante, em 2011, Barker em pessoa voltou a  abraçar o formato de banda desenhada e se pôs a escrever novas tramas, mas dessa vez por intermédio da editora Boom!. Uma das minisséries dessa coleção foi lançada em terras tupiniquins pela editora Astral.

A franquia se expandiu em proporção quase geométrica ao longo de seus 30 anos de existência: no cinema, o primeiro longa recebeu oito sequências e há ainda uma nona à caminho; na literatura, além de duas novelas, uma série de histórias curtas estrelando Harry D’amour ajudaram a estruturar ainda mais a mitologia. Apesar disso, foi nos quadrinhos que a mente de Barker e outros autores melhor pode florescer, adicionando camadas e nuances cada mais vez surreais, surtadas e fantasiosas.

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Os cânones da dor

A primeira fase dos quadrinhos de Hellraiser compreendem as publicações feitas sob o selo Epic, entre 1989 e 1994, época em que a marca já dava sinais de sua morte vindoura, sendo posteriormente substituído pela Marvel MAX. Na época, Barker atuou como um consultor criativo, de forma a delimitar uma série de preceitos básicos sobre aquele universo, com os quais os quadrinistas envolvidos poderiam trabalhar. Foram levantadas questões como: o quê criou a Caixa das Lamentações? Existem outros quebra-cabeça que fariam a mesma coisa? Quem comanda os cenobitas?

O que se seguiu foi uma série mensal (posteriormente bimestral) de vinte publicações, com um número variável de três a quatro estórias curtas por edição, inicialmente sem relação direta entre si, mas todas pertencentes ao mesmo mundo, com uma grande rotatividade de roteiristas e ilustradores. Criativamente, essa coleção permitia que os autores se alimentassem do conteúdo produzido pelos que vieram antes, construindo um cosmos ainda mais abrangente e elaborado.

A franquia é perpassada de sentidos e conceitos abstratos, que tornam-se compreensíveis com o decorrer da leitura. O inferno, por exemplo, é regido por Leviathan, entidade toda-poderosa que representa a ordem e que trava uma guerra infindável contra o caos, que se manifesta em tudo que é mundano e carnal. A ideia central é de que a existência humana é caótica e desorganizada, cabendo ao inferno e seus agentes transformá-la e moldá-la de forma ordenada.

A vontade de Leviathan é ostentada pelos cenobitas, figuras grotescas, cheias de modificações corporais extremas, encarregados de ir ao mundo real buscar almas que possam tanto compor os ranques do inferno quanto servirem de cobaias nessa constante experimentação e luta contra a carne. Para permitir o acesso destes ao plano terreno, é necessário resolver um quebra cabeça, que pode ser algo como a Caixa das Lamentações, construída em massa pelo arquiteto e engenheiro LeMarchand, ou enigmas das mais diversas formas e dificuldades.

Chama a atenção inicialmente a variedade de artistas envolvidos, o que cria um aspecto estético único para a coleção. Cada novo capítulo é uma descoberta, acrescentando um frescor interminável, tanto em termos de ilustração quanto de texto. Dentre os artistas mais renomados que passaram pela HQ estão Neil Gaiman e Dave McKean, dupla responsável por Sandman e que entregam o melhor curta de toda a série; Lana Wachowski, na época ainda sob o nome de batismo, Larry, mais conhecida como uma das criadoras de Matrix, também é um nome recorrente por aqui; um Mike Mignola pré-Hellboy também deixa seu traço inesquecível, junto de outros nomes como Scott Hampton, Mark Chiarello e etc, além do próprio Clive Barker, ocasionalmente.

Seria complicado falar de cada curta individualmente, por se tratarem de dúzias e mais dúzias de capítulos, mas alguns são especialmente dignos de nota.

Um dos cenobitas mais recorrentes nas páginas de Hellraiser é Face, figura relativamente pouco grotesca, se comparada aos outros cenobitas, e cuja marca registrada é vestir rostos humanos por sobre sua face descarnada. Na quarta edição, o curta To Prepare a Face (#4) revela a origem desse cenobita, que é nada mais nada menos que uma versão maléfica do primeiro grande astro do horror, Lon Chaney, conhecido como o “Homem das Mil Faces”. A premissa em questão coloca o ator como um cruel assassino que mata e toma o rosto de suas vítimas, o que lhe tornava irreconhecível de um filme para o outro. Claro que, para vestir um rosto humano perfeitamente sem ficar parecendo o Leatherface, o envolvimento de forças sobrenaturais era obrigatório. Em última instância, a necessidade de moldar um rosto deformado para o papel de O Fantasma da Ópera levou esse Lon Chaney do mal para um caminho deveras, infernal…

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Outro cenobita de destaque cuja origem nos é introduzida nas páginas dos quadrinhos é o ex-soldado Atkins. Em Tunnel of Love (#6), o militar brucutu estilo Arnold Schwarzenegger desbrava uma série de túneis subterrâneos na selva vietnamita, em meio a guerra. O complexo labiríntico de túneis é, por si só, um dos enigmas que dão acesso aos Cenobitas e ao inferno. Lá, sua personalidade impetuosa e sua predileção pela violência e pela guerra fazem dele um soldado perfeito para a guerra contra a carne. O enigma em forma de túnel é um dos vários exemplos para além das caixas das lamentações. Também vale mencionar, dentre outras coisas, composição musical, dança, poemas, pintura, quebra-cabeças e até mesmo prédios inteiros, desenhados por LeMarchand. Isso acrescenta um alto nível de pessoalidade e desafio, aos enigmas, colocando a busca pela perfeição como um meio de romper limites e transcender. Me vem à mente um dos segmentos de Animatrix, no qual um atleta consegue se desligar do controle da Matrix ao atingir e ultrapassar os limites humanos.

O plot dos contos varia de dramas faustianos, em que um indivíduo utiliza a caixa para buscar um pacto com os cenobitas, indo até pessoas que entraram em contato com o inferno inadvertidamente. Nessas duas perspectivas opostas, é possível destacar o segmento Love is a many splendored thing… (#18), de Erik Saltzgaber e Mike Hoffman, que acompanha uma mulher que deseja os prazeres carnais da dimensão negra, resolvendo o enigma de LeMarchand várias vezes, deixando um rastro de sangue no caminho, mas falhando em alcançar seu objetivo pois o cenobita “responsável” se apaixonou por ela.

Em um lado totalmente oposto da mesma moeda, em Original Sin (#6), um bebê consegue resolver a caixa das lamentações invocando cenobitas gêmeas que ficam intrigadas com a possibilidade de levar uma alma inocente para o inferno, resultando em um plot twist fenomenal. Aliás, crianças e adolescentes são figuras recorrentes aqui, produzindo alguns momentos bem controversos. Dance of the Fetus (#1), a título de exemplo, também provoca um questionamento em um cenobita incumbido de levar uma mulher grávida para o inferno – caberia ali uma alma tão pura quanto a de um feto? Questões morais como essa são frequentemente trabalhadas em muitas das histórias e os conceitos de bem e mal são colocados em xeque a todo tempo.

Alguns poucos segmentos são obras de arte magistrais, momentos realmente icônicos que merecem muito mais destaque do que um dia já receberam. As duas peças mais fantásticas que tecem essa tapeçaria infernal são a já mencionada contribuição de Neil Gaiman e Dave McKean, Wordsworth (#20), que mostra a total degradação de um homem que vai ao extremo para resolver seu enigma – uma cruzadinha, e o segmento de Scott Hampton, The Tontine (#9), sobre um grupo de ex-militares em um jogo anual de roleta russa, que é um dos quadrinhos mais atmosféricos e densos que alguém pode encontrar por aí. Hampton chegou a transformar o texto em roteiro, o que originou um curta metragem fraquíssimo em 2006, que não se conecta ao universo Hellraiser de maneira alguma. Vale também mencionar os segmentos A Song of Metal and Flesh  e The Blood of a Poet (#3), ambos focados em uma visão mais artística do enigma, mas não menos fantásticos em termos de traço, cor, estilo e texto.

Dentro desta publicação, ocorreu também o primeiro grande arco narrativo com protagonismo dos cenobitas, algo que hoje se chamaria de grande saga. Na trama de The Devil’s Brigade, que se estendeu da sétima até a décima sexta edição, com um total de 18 capítulos, a cenobita Flagellum descobre uma perturbação na ordem e, sob comando direto de Leviathan, organiza um grupo de elite – o Vasa Iniquitatis -, composto por cinco cavaleiros do inferno: Pinhead, Atkins (o cenobita militar), Face (o ator), Balberith e Abigor, cujo objetivo é ir para a Terra impedir que o caos reine entre os homens.

Como mencionado anteriormente, o questionamento moral é parte intrínseca dessa série e aqui se faz presente de forma surpreendentemente atual. Cada um dos cinco cenobitas precisa atuar em uma questão diferente e potencialmente perigosa: uma cientista que está prestes a descobrir a cura da AIDS… ou de criar um novo supervírus; um governo segregacionista africano que sustenta o sistema de Apartheid; a tensão racial na Filadélfia, envolvendo violência policial e o assassinato de negros; um padre sem fé, mas com grande potencial de comandar os fiéis; um revolucionário que luta pelos direitos dos moradores de rua.

A forma com que cada uma dessas questões é analisada e discutida pelos Cenobitas é bem incomum e imprevisível. Até o momento de resolução de cada um desses conflitos, não há como saber se as ações dos mesmos são benéficas ou não.

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Ao fim de The Devil’s Brigade, uma nova grande saga toma forma, mas dessa vez trazendo o próprio Clive Barker como roteirista. Em The Harrowing (#17-20), uma deusa antiga volta a vida e escolhe seis humanos como seus bravos guerreiros, chamados de Harrowers. Imbuídos de armas mágicas e poderes especiais e abençoados pela deusa recém-encarnada, Morte Mamme, são inimigos declarados de Leviathan, com o poder de oferecer expiação e reencarnação para as almas condenadas. Barker traz muito de suas idéias mais fantasiosas, adicionando um “quê” de super heroísmo bem destoante do resto da obra. O super grupo chegou a ganhar um título próprio, que contou com seis edições e uma longa batalha com Pinhead, então já estabelecido como  o filho favorito do inferno.

Durante os últimos suspiros da série Hellraiser pelo selo Epic, vários outros títulos paralelos foram lançados, incluindo aí um especial de Natal e um especial de Verão, nos mesmos moldes da série clássica; também existiram uma mini-série solo e homônima para Pinhead, um bizarro confronto do cenobita com o personagem Marshal Law e uma batalha épica entre cenobitas e a raça das trevas, outro universo criado por Barker, em Hellraiser vs Nightbreed: Jihad, que basicamente figura os filhos de Baphomet sendo consistentemente espancados pelos cenobitas.

Barker ainda lançou uma série chamada Book of Bloods: A Hellraiser Companion, que trazia uma série de informações, explicações e backgrounds relativos a personagens, enigmas e outras várias coisas que apareceram ao longo das vinte edições. Por fim, temos ainda a mini série volume único Spring Slaughter, e uma adaptação do então recém lançado Hellraiser 3 – Inferno na Terra.

A Procura da Carne

Após um longo hiato de quase 17 anos, Hellraiser retornou aos quadrinhos com roteiro de Barker em carne, osso e incisões de metal, dessa vez facilitado pela editora Boom!. Curiosamente, no mesmo ano ocorreu o lançamento do muito criticado Hellraiser: Revelações, primeiro filme da franquia sem a presença de Doug Bradley como Pinhead, dando lugar aquele que conhecemos por aqui carinhosamente como Pinvaldo (mistura de Pinhead com Rivaldo).

Com roteiro assinado por Barker e Christopher Monfette e desenhos por Leonardo Manco, essa nova fase seguiu um caminho mais tradicional, com uma grande saga dividida em arcos menores. A trama parece considerar os eventos ocorridos até o final de Hellraiser 2: Renascido das Trevas e as histórias curtas protagonizadas por Harry D’amour, sem trazer quase nada que os quadrinhos anteriores haviam apresentado.

Pinhead, o Papa do Inferno, praticamente um rei entre os cenobitas, começa a demonstrar grande insatisfação com sua rotina de tortura, barganha e morte. A despeito da opinião de outros, ele deseja abandonar sua posição e poder e partir em busca de sua humanidade e até mesmo de salvação. Porém, para que isso seja possível, alguém deve assumir seu lugar.

Paralelamente, no plano terrestre, uma Kirsty Cotton 25 anos mais velha continua em uma luta ferrenha contra os cenobitas, caçando e destruindo o maior número possível de artefatos criados por LeMarchand. Nessa missão, ela conta com a ajuda de um grupo batizado por ela de Harrowers, que não tem relação com os guerreiros místicos de Morte Mamme. Aqui já podemos observar algumas das inconsistências narrativas presentes na obra. A forma com que Barker se refere a esse grupo, aponta para a existência de alguma menção prévia, assim como a presença de Harry D’amour, que brota na revista como um dos personagens chave, mas que só vai ser conhecido por aqueles que leram os contos literários, ou que leram Evangelho de Sangue, mais recentemente.

A proposição de Pinhead para abandonar sua posição é fantástica: ele deseja trocar de lugar com ninguém menos que a própria Kirsty. A moça acaba aceitando por um motivo pra lá de inocente, a possibilidade de ter seus entes queridos de volta, na forma de cenobitas e de tentar mudar o funcionamento do inferno pelo lado de dentro. Enquanto Pinhead volta a sua forma humana, ex-Capitão Elliott Spencer, Kirsty se torna a nova Pinhead, reinando no submundo.

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Essa inversão de papéis é uma das proposições mais criativas e cheias de potencial feitas por Barker dentro de seu universo Hellraiser. No entanto, ao invés de explorar o lado psicológico, uma trama épica e grandiosa se desvela, com a chegada de um possível apocalipse. A megalomaníaca dessa história ofusca completamente a potencialidade dessa nova dinâmica, dando lugar à uma grande saga com um ritmo incompreensível, em que as ações dos personagens se desenrolam de maneira confusa, como se houvessem grandes furos entre os arcos. O Pinhead original se torna um vilão ainda mais tenebroso e surpreendente, mas a versão cenobita de Kirsty é completamente desperdiçada.

Um outro problema dessa série principal, que também se estendeu por vinte edições, reside na forma limitada com que os elementos sobrenaturais são retratados. O traço e as cores são maravilhosos e existem alguns painéis verdadeiramente impressionantes. Porém há pouca variedade de formas e figuras infernais, dando um aspecto extremamente homogêneo à todas as criaturas do inferno, ao passo que, originalmente, a variação de artistas acarretou em muitos cenobitas de visual bem único, expandindo a proposta original de couro e modificação corporal. Nem tudo é desperdiçado, já que o visual da própria Kirsty é bem diferenciado.

No encalço dessa primeira nova série, a Boom! lançou Hellraiser: Masterpieces, coletânea em doze edições com os melhores capítulos da série antiga, incluindo uma boa parte da saga The Devil’s Brigade. Logo depois, a minissérie em quatro edições The Road Below mostrou alguns dos percalços enfrentados pela Pinhead Kirsty, durante seu breve reinado no inferno. Escrita por Brandon Seifert, a história traz elementos sobrenaturais sem pé nem cabeça, nunca antes vistos na franquia, mas acompanhados do traço particular do desenhista Haemi Jang que imbue muito mais vida e personalidade àquele microcosmo.

Posteriormente foi lançada a saga The Dark Watch, que chegou ao Brasil em três volumes pela Editora Astral – na época, comprei a terceira edição sem saber que se tratava da parte final, pois não havia qualquer numeração na capa. Esse arco que foi lançado entre 2013 e 2014 possuiu um total 12 edições, acompanhando as consequências das ações de Elliott Spencer e Kirsty, enquanto um terceiro Pinhead assume o controle do exército de Leviathan: Harry D’Amour. O texto marca a união de Barker com Seifert, além de desenhos de Tom Garcia, que também retoma uma caracterização mais marcante para os cenobitas e outras criaturas.

A saga também traz a tona a ideia de múltiplos infernos e diferentes tipos de demônios em uma guerra profana. Nessa altura do campeonato, o mito Barkeriano de Leviathan e os cenobitas já é bem mais complexo e grandiloquente que já foi um dia, deixando bem de lado seu grande charme, que era a conquista transcendental do prazer e da dor, em prol de um épico dantesco.

A última publicação feita pela Boom! foi a minissérie em seis edições Bestiary, que retomou os primórdios dos quadrinhos de Hellraiser com o formato de antologias, sendo lançada entre 2014 e 2015. Não tive a oportunidade de ler nenhuma das edições, infelizmente, apesar do formato por si só já ser atraente. Barker também parece bem interessado nesse formato, já que o revisitou, mais uma vez, agora em 2017.

Da Epic para a Boom! e agora da Boom! para a Seraphim Comics, os quadrinhos de Hellraiser encontraram um novo lar. A editora é pertencente ao próprio Clive Barker, que justificou a escolha pela publicação sob um selo próprio dizendo sentir-se livre de censura. Ao colocar os quadrinhos diretamente nas mãos dos fãs, sem um intermédio de terceiros, havia uma possibilidade única de trabalhar sem limites, explorando as regiões mais profundas da experiência. Com um total de 90 páginas, a antologia recém lançada conta com 11 contos de diferentes artistas e autores. Hellraiser: Anthology encontra-se esgotada atualmente, disponível somente em versão digital, sendo item indispensável para os colecionadores aficionados pela franquia.

Algumas boas centenas de páginas coloridas compõem o vasto universo Hellraiser nos quadrinhos, acrescentando e modificando o cânone, permitindo delírios e devaneios que nunca veremos nas telonas. Nem sempre as mudanças foram positivas, não obstante, a obra como um todo possui muitas qualidades e tem potencial para produzir ainda mais material marcante, especialmente quando Barker abre espaço para outras mentes construírem junto dele. Fica a dúvida se o universo cinemático irá produzir algo igualmente interessante, depois dessa infinidade de sequências risíveis.fdagdfgadfg

 


Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Fã de horror em suas diferentes formas, principalmente cinematográfica. Incapaz de adentrar igrejas, pelo risco de combustão espontânea, dedica sua vida pagã a ensinar inglês, escrever sobre o gênero e, mais recentemente, fazer seus próprios filmes.

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